[[legacy_image_319922]] Celebrado em 2 de dezembro, o Dia Nacional do Samba é uma ocasião sempre especial para nós, sambistas. Este ano, ainda mais. Estivemos reunidos para a 60ª Alvorada do Samba nas ruínas do Quilombo do Pai Felipe, atual pátio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos), onde reverenciamos a tradição e semeamos o futuro. Desta vez, ao lado de parceiros essenciais para a revitalização do Conselho do Samba de Santos – a Prefeitura Municipal, a Secretaria Municipal de Cultura, e a Liga das Escolas de Samba (Licess) –, também demos um passo decisivo para que o legado de nossos bambas seja cada vez mais respeitado e seguido. Anunciada oficialmente pelo Poder Público, após anos de tratativas em conjunto, a criação do Espaço Rei Batuqueiro, da Praça Alvorada do Samba, do Memorial do Samba e da nossa sede administrativa naquele espaço consolidará um tempo ainda mais promissor, que trará muitos desafios e, não tenho dúvidas, ótimos frutos. Além disso, o novo complexo renova a vocação de vanguarda que cultivamos desde a década de 1940, tema de recente conversa que tive com nosso Marechal do Samba, J. Muniz Jr.. Na ocasião, lembramos do papel que figuras marcantes como Aureliano dos Santos (Cabo Laurindo), Eugênio Pedro Ramos (Cabo Roque), Cabo Bira e Álvaro Bandarra (Lorde Chiang, ex-secretário de Turismo), tiveram neste sentido. Os quatro foram agraciados com “patentes” do samba em épocas distintas, mas tendo algo em comum: a atuação nos bastidores, elevando nossa bandeira não só incentivando, dirigindo ou colaborando com as agremiações e entidades carnavalescas, mas também fazendo nossa voz ecoar em outros cantos, como na estiva, na imprensa e nas repartições públicas. Esta forma de reconhecimento se mantém viva até hoje. Nesta 60ª Alvorada, aliás, contemplamos os Generais do Samba Darwin Ferreira (Babi) e Eurico Silva; e as Damas do Samba Magali de Barros e Elisa Gardiano (Coca), fazendo jus às longas e consagradas trajetórias como sambistas. Também laureamos novos Cabos do Samba – Ozir Venâncio (Ziza), Ernesto Abelha, Fabiano Brasil e Josinaldo Silva (Dô) – e um Sambista Emérito, Aílton Pereira, por suas expressivas contribuições à cultura do samba e do Carnaval. E, por fim, concedemos ao secretário de Cultura do Município, Rafael Leal, e ao vereador Carlos Teixeira Filho (Cacá) as honrarias de Cabos Honoríficos, retribuindo o comprometimento de ambos ao levarem à frente nossas pautas em seus respectivos mandatos, o que tem sido fundamental para atingirmos nossos objetivos. Lembro que vivemos em uma cidade que já teve o segundo Carnaval do País, mas que, num passado não muito distante, ficou cinco anos sem o desfile das Escolas de Samba. Reafirmo que a essência do samba estará sempre na beleza de suas tradições, na força de sua representatividade e no talento e resiliência do sambista. Mas hoje entendo que ela se renova, também, ao despertar naqueles que no samba não nasceram o encanto e a vontade de por ele lutar.