(Adobe Stock) Myrthes Gomes de Campos foi a primeira mulher a conseguir registro como advogada, em 1906. Já Maria Arruda Baccarat, na década de 1930, tornou-se a primeira advogada santista, mas seguiu carreira pública. Já Nínive Calves, contemporânea de Maria Arruda, permaneceu no Direito por toda a vida. Neste domingo, Dia da Mulher Advogada, cabe a nós continuarmos a história dessas pioneiras: de nosso ponto de vista, talhado pelas experiências pessoais e pelo cotidiano que a profissão impõe. Não somos ingênuas em pensar no “mundo encantado do Direito”, em razão da morosidade no efetivo cumprimento das leis e, por tantos casos de desrespeito no exercício da profissão. Cenário difícil de imaginar e de vivenciar. desmotivação seria o caminho mais fácil. Mesmo assim, o primeiro estudo sobre o Perfil Demográfico da Advocacia Brasileira, realizado em 2023/24, mostrou que a advocacia é majoritariamente feminina, com 51% de mulheres e 49% de homens. É um dado que deve ser entendido mais qualitativamente, do que pela fixação por números. Ele é resultado de longo caminhar e de força de vontade de muitas mulheres, a maioria, anônimas. Atuar na advocacia é escolha pessoal, profunda e verdadeira. Desafia a lógica de um mercado competitivo, de recursos tecnológicos avançados, de cobrança familiar porque o tempo com marido filhos é pais diminui; de cobrança por sucesso financeiro. Contudo, é nesse espaço que a mulher advogada, no Brasil vem deixando sua marca em cada ação que aceita e, de forma sincera, avisa ao cliente que o Direito oferece garantias constitucionais, porém, não garante vitória. Saber sua movimentação nessa realidade é o que faz a porcentagem demonstrada na pesquisa tornar-se o valor do empenho da mulher que atua nas várias frentes do Direito, nas telas on line ou nos tribunais físicos. O mundo aplaude uma inteligência que se diz "artificial". A mulher advogada conquista seu conhecimento e, a partir daí, constrói sua sabedoria particular na profissão. E esta, caros leitores, é inimitável e inegociável. É nossa! Faz parte daquele caminho, quando meninas, vimos pais ou avós, em seu cotidiano nos fóruns. Ou quando, com audácia, somos a primeira da família a seguir nessa carreira. Ou ainda, quando um filme nos mostra alguma advogada cuja vida, de tão improvável, se torna exemplo, como Erin Brockovich (2000) ou a recente série “As Leis de Lidia Poët (2023)”. Como personagens reais, escolhemos romper barreiras e mostrar à sociedade nossa força e competência, sem, claro, perder a ternura. O mundo pode estar cheio de cifras, mas sente falta de conhecimento, com sabedoria e compaixão. Com discernimento e trabalho. A mulher advogada vai além do exercício profissional e, magicamente, desafia também o tempo. A mulher advogada é mais que números: é ação conjunta por uma causa. De sua vida, de seu cliente e de sua classe. Daniella Berkowitz é tesoureira da OAB Santos. Jackeline Pereira é secretária geral adjunta da OAB Santos.