[[legacy_image_340463]] Falar da mulher em seu Dia Internacional é fácil. Difícil mesmo é entender como passamos de funções/papéis em 24 horas e permanecemos, ao final de cada dia, acreditando em nós mesmas. Falar dos direitos conquistados é o esperado. O custo dessas conquistas exige reflexão. Falar das mulheres, todas nós, é abranger um universo de situações em que nos dividimos para agir da melhor forma. A mulher, nesses 23 anos do século 21, ainda se debate por conceitos vindos do século passado. E, aqui, fica a pergunta delicada: se a sociedade permanece com seus defeitos, por que seguimos como hipnotizadas por ideias e padrões que praticamente nos obrigam a buscar sentido em algo que já não é nossa realidade? Enxergá-lo exige de nós, mulheres, a lucidez para, diante dos problemas encontrados, buscarmos também as oportunidades que eles trazem para revertê-los. Não falamos de conceitos, falamos de ações. Lucidez, inteligência e conhecimento são habilidades que mulheres, de todas as idades, devem desenvolver, muitas vezes, dentro de si mesmas, sem esperar algo externo. Isso sim é empoderamento feminino. O poder advindo da competência e não apenas por uma questão de gênero. Aliás, tudo que existe, em termos de legado feminino, começou no universo de alguém e passou para o coletivo. Vale observar dois fatos nesse dia: as pedras que voam em direção às mulheres costumam partir de mãos femininas para atacar quem se destaca seja lá pelo que for. As redes sociais estão aí, com fatos bem visíveis. A segunda observação: se vivemos em um planeta com infinitas diferenças, tal constatação envolve esforço sem fim de convivência pacífica. Que tal tentarmos o caminho mais lógico e apostar em nossas igualdades? Somos frágeis, somos mortais, choramos, sentimos dor. É nessa igualdade do ser humano que oportunidades aparecem. Como participantes de uma instituição ligada ao direito básico de exercer sua profissão com dignidade, defendemos que a mulher pode trabalhar por uma causa ou em uma área específica (nossas comissões e diretorias adjuntas); pode denunciar quem ainda parou no tempo e classifica uma profissional segundo sua aparência, sua cor, sua orientação sexual ou sua idade, em prática no Comunica Mulher Advogada, que tem o mesmo sentido do agora em moda “lawfare”. É bom sentir que aproveitamos essas oportunidades e mostrar que o trabalho de construir igualdade, dentro de uma sociedade que insiste nas desigualdades, dá frutos e conta com o apoio masculino. Porque no final, não é um dia apenas que nos destaca. É toda nossa vida, mudando de papeis (filha, mãe, profissional, esposa, amiga, irmã, entre tantos), conforme a necessidade de situações. É o resultado de nossos atos e pensamentos que fará diferença quando nos colocarmos no lugar da outra ou do outro. Aí, com certeza, começaremos a construir algo novo para a pessoa, o indivíduo, seja qual for seu gênero. No final, são pessoas, de carne e osso, mortais, que se igualam.