(Freepik) Diante dos dilemas que a vida nos apresenta, podemos reagir de inúmeras maneiras, dependendo do nosso temperamento, da disposição do nosso espírito, da nossa força de vontade e, é claro, dos valores que norteiam a nossa caminhada por esse mundão de meu Deus. Mas penso que podemos agrupar todas as reações humanas possíveis e pensáveis diante dos perrengues em três tipos de atitude, que poderíamos chamar de ativa, passiva e alternativa. Pouco importa qual seja o quadro; esses são os três balaios nos quais, penso eu, podemos reunir as diversas formas de conduta diante dos entreveros que pintam em nosso caminho. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para explicar as três atitudes possíveis frente à vida, convido o amigo leitor a imaginar-se em uma canoa, navegando no remanso de um rio qualquer e, lá pelas tantas, eis que as águas mudam de temperamento, tornando-se uma corredeira. Para a nossa infelicidade, temos nossa vista invadida pela imagem borbulhante de uma cachoeira que, de forma inclemente, quer porque quer nos engolir. Imaginou? Beleza, então vem comigo para o próximo parágrafo. Diante dessa situação, podemos, furiosamente, remar contra a correnteza e contra toda a desesperança para evitarmos a tragédia que se apresenta como inevitável. Bem, esse é um exemplo de atitude ativa. Se não somos daqueles que gostam de lutar batalhas perdidas, podemos então, estoicamente — ou não —, deitar calmamente no fundo da canoa, cruzar os braços sobre o peito e deixar que as águas nos levem para muito além do Reino das Águas Claras, abraçando o nosso destino. Essa, por óbvio e por certo, seria a atitude passiva. Por fim, teríamos a atitude alternativa. Lá está o caboclo em sua canoa, diante da cachoeira e, ao invés de lutar pela vida até o último suspiro ou de abraçar sem temor a ferocidade do seu destino, ele fica em pé na canoa e, furiosamente, começa a xingar a força das águas, os céus, tudo e todos, como se tal atitude tivesse algum valor. Quando voltamos nossas vistas para os desafios que vicejam no mundo contemporâneo e paramos para refletir um cadinho a respeito das inúmeras incertezas que nos assombram — e sobre as muitas certezas aterradoras que nos circundam —, brota em alguns momentos em nosso peito um sentimento de impotência e desesperança. E é bem aí que o trem desanda, tal qual na cena hipotética da canoa que é tragada pela cachoeira, porque a realidade exige uma resposta de nós e, para ser sincero, espero que a sua, amigo leitor, não seja uma resposta alternativa. Até mais. Dartagnan da Silva Zanela. Professor e escritor.