<p data-end="410" data-start="150">O livro A Arte da Sabedoria Mundana, escrito pelo jesuíta espanhol Baltasar Gracián, é composto por cerca de 300 aforismos e, deste clássico da filosofia prática, é possível resgatar, para estes novos tempos, uma de suas observações mais afiadas e pertinentes.</p> <p data-end="827" data-start="414">O autor enfatiza que o novo está sempre pronto para ser admirado, embora isto não signifique que seja exclusivamente o melhor. Na sociedade da exposição exagerada, se o seu conhecimento parecer “antiquado”, perde espaço na disputa de atenções e enfraquece o poder de atingir as pessoas. Neste contexto, a superficialidade se instala e a norma é estar na moda, dar valor ao que é novidade e não ao que é relevante.</p> <p data-end="1364" data-start="831">Na abordagem e no bom uso da IA, o assunto está na moda e tem muita relevância. O problema é que não estamos dando a esta poderosa ferramenta da tecnologia a importância estratégica que ocupa, neste momento peculiar da história humana. Recente matéria publicada no jornal Valor deu ênfase à progressiva perda da soberania digital em nosso país e à premente necessidade de concentrarmos investimentos essenciais em IA, com instalação de infraestrutura compatível e, principalmente, elevados aportes na formação de talentos nesta área.</p> <p data-end="1864" data-start="1368">A consultoria Gartner, líder mundial em pesquisa prospectiva e aconselhamento futuro para as empresas e governos, coloca a IA como tendência pesada que orienta futuros prováveis em horizontes a partir de 2030. Vários cenários emergem dos relatórios da referida consultora. As prospecções mais diretas, e que merecem especial atenção dos gestores, destacam que estamos nos aproximando da era da IA onipresente e que, devidamente democratizada, facilitará acesso a todos, ampliando a produtividade.</p> <p data-end="2331" data-start="1868">Tudo isto não se compara aos impactos positivos da tecnologia dos gêmeos digitais, que combina aplicações da IA com outras ferramentas tais, como a internet das coisas (IoT), a computação em nuvem e a realidade estendida (XR). Na gestão de cidades, por exemplo, a tecnologia dos gêmeos digitais representa réplicas virtuais dinâmicas de sistemas urbanos físicos, utilizando dados em tempo real para monitoramento e análise através de subsistemas de IA embarcados.</p> <p data-end="2760" data-start="2335">A tecnologia dos gêmeos digitais está preparada para cumprir muitas de suas promessas em muitos outros setores. Suas aplicações vão desde a indústria automotiva, aeroespacial, construção civil, agricultura, mineração, serviços públicos, varejo, passando pela área de saúde, recursos naturais, segurança pública e militar. Esta diversidade já conquistou a imaginação de pesquisadores, gestores e profissionais em todo o mundo.</p> <p data-end="2957" data-start="2764">De tão abrangente, a tecnologia dos gêmeos digitais, em pouco tempo, fará o assunto IA sair da moda. A IA continuará existindo como suporte em outras aplicações, mas será uma simples lembrança.</p> <p data-end="3028" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2961"><em data-end="3028" data-is-last-node="" data-start="2961">*Alfredo Cordella. Professor de Gestão do Conhecimento da Unisanta</em></p>