<p data-path-to-node="3">O Morro dos Barbosas, um dos locais onde nasce a civilização luso-brasileira, é conhecido como berço dos indígenas pelos primeiros colonizadores. Pelo relevo local, desenvolveu papel estratégico desde o início do século 16.</p> <p data-path-to-node="4">Servia como ponto de observação privilegiado para a navegação marítima e fortificação natural contra potenciais invasores. A terra fértil para a agricultura também ajudou na escolha deste local.Com o passar dos séculos, o local de chácaras e cultivo agrícola mudou para casas de veraneio da elite do café, transformando-se em bairro residencial. O Morro dos Barbosas teve sua maior especulação imobiliária no início do século 20, com adensamento habitacional.</p> <p data-path-to-node="5">No início da colonização, ocupação europeia em território brasileiro, os contornos do morro já eram navegados e explorados. Documentos e registros históricos apontam que, por volta de 1506, o bacharel Cosme Fernandes, conhecido como ‘Bacharel de Cananeia’, esteve ativo na região e trouxe mudas de videira e cana-de-açúcar de Portugal. Aí se iniciou a agricultura local, em solo fértil das encostas e microclima protegido dos ventos diretos do oceano aberto.</p> <p data-path-to-node="6">Muitos historiadores relatam que foi a primeira fazenda do Brasil. Relatos mostram que, neste momento, também se instalava a primeira vinícola do território nacional. Alguns anos depois, produziu-se a primeira cachaça artesanal em engenho local.</p> <p data-path-to-node="7">O Morro dos Barbosas também foi chamado de Morro do Tumiaru ou Morro da Ostra, celeiro produtivo de São Vicente. As terras passaram para a família Barbosa, uma tradicional estirpe paulista que ali estabeleceu uma chácara produtiva e de recreio. Em 1829, os Barbosas mandaram construir, no topo do morro, um enorme casarão de estilo colonial, de paredes de alvenaria com pedras e cal, azulejos e pisos importados e amplas varandas.</p> <p data-path-to-node="8">A presença constante da família fez com que a população da Vila de São Vicente passasse a denominar o local como ‘o morro da chácara dos Barbosas’. Logo, o atraente morro se transformou em refúgio da aristocracia cafeeira paulistana e de personalidades da vida pública e religiosa do país. Houve várias importantes reuniões políticas no local.</p> <p data-path-to-node="9">Em 1890, a propriedade do casarão foi transferida para os padres do Mosteiro de São Bento, servindo como casa de veraneio e repouso para os beneditinos, que construíram um colégio voltado ao atendimento de crianças carentes da região.</p> <p data-path-to-node="10">Na Segunda Guerra Mundial, conflito global (1939-1945), o morro, em razão da sua posição geográfica altamente estratégica, com vista para a baía e rota de embarcações, abrigou redes de rádio e inteligência. Elementos arquitetônicos da época, como mosaicos no piso com símbolos da era nacional-socialista, eram encontrados no casarão. Nas décadas posteriores ao conflito, o imóvel passou por leilões privados, pertencendo a barões do café e a famílias de industriais, até virar um complexo hoteleiro onde existe um museu particular e estrutura turística.</p> <p data-path-to-node="11">*Eduardo Ribeiro Filetti. Médico veterinário, professor universitário, mestre em Saúde Pública e membro das academias Santista, Vicentina e Praia Grandense de Letras</p>