(Gabriela Biló/Estadão Conteúdo) Recentes pesquisas de opinião mostram uma crescente queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o menor nível de aprovação na história de seus três mandatos. O fenômeno mostra que o modelo atual de governo no Brasil, alicerçado basicamente no carisma de uma pessoa, não funciona mais. É um modelo falido, seja essa pessoa de direita, centro ou esquerda. Diante da inflação, com alta de preços dos combustíveis, da carne, do café e do ovo, não basta culpar os governos anteriores, atacar os investidores da Faria Lima ou atribuir, indevidamente, responsabilidade ao Banco Central pelos juros altos. Na tentativa de reverter o quadro, tenta-se de tudo, desde trocar um ministro por um marqueteiro, passando pelo investimento bilionário em publicidade do governo. O problema, no entanto, não está em quem cuida da imagem do governo, tampouco na falta de recursos financeiros do País, mas principalmente na falta de cumprimento das promessas de campanha, ainda longe de se concretizarem, apesar de já estarmos na segunda metade do mandato. O Brasil está à espera de um presidente que encarne a figura de um líder menos personalista e reúna as qualidades de um verdadeiro estadista. Um chefe do Executivo com visão estratégica, menos preocupado com o ego e com a reeleição e mais empenhado em governar para reduzir as desigualdades sociais, regionais, raciais, educacionais e de renda, enfrentando com seriedade e competência os problemas econômicos e a violência urbana. Hoje, o cidadão brasileiro tem muitas perguntas e poucas respostas. Qual o plano de metas do governo? Qual a política educacional para tirar o país da vergonhosa 49ª posição no ranking publicado pela OCDE? Também se ignora qual a política de combate à insegurança pública. O país é líder mundial em homicídios intencionais, tendo registrado a incrível marca de 38.722 assassinatos em 2024. Na saúde, hospitais lotados, falta de vagas e medicamentos, epidemias de dengue, volta da febre amarela e doenças antes erradicadas evidenciam políticas públicas fracassadas e o contínuo sofrimento da população. Ignora-se por completo o gigantismo do Estado, máquina pública ineficiente e onerosa. Hoje, o Brasil gasta com funcionalismo público de 12,3% a 12,8% do PIB, enquanto nos 38 países da OCDE a média desse gasto é de 9,6% a 9,8% do PIB. O excesso significa gastos adicionais injustificáveis de quase R\$ 300 bilhões ao ano, valor superior ao orçamento anual do SUS, sobrando mais de R\$ 80 bilhões ao ano. O brasileiro paga muitos impostos, porém não vê a contrapartida estatal, conforme mostra o Índice de Retorno do Bem-Estar Social (Irbes): o país há mais de duas décadas está estagnado na 30ª e última posição na devolução à população dos serviços de educação, saúde e segurança, entre os 30 países de maior expressão econômica e com maior carga tributária. Com a reforma tributária aprovada em 2024, o Brasil terá em breve a maior alíquota do mundo, da ordem de 28% a 28,5% do valor do bem, do produto ou da mercadoria. No Brasil, tira-se o dinheiro do assalariado e do aposentado e, em vez de o governo retornar oferecendo dignidade ao povo, com soluções eficazes e permanentes, oferta-lhe muletas por meio de programas como o auxílio-gás, Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada, auxílio-dignidade menstrual e o confuso Pé de Meia. Há uma urgente correção de rota a ser feita. Esses problemas não vêm de agora e não são exclusivos do governo atual, mas sim de todos os governos do século 21. A solução deve vir pela redução de privilégios e de gastos públicos, além de políticas efetivas de combate à corrupção e o fim da reeleição a cargos do Executivo, tudo acompanhado de propostas para oferecer melhores condições de vida à população. Só isso poderá trazer aos brasileiros uma existência digna, sem que ninguém dependa de favores do governo e possa usufruir de políticas públicas eficientes para festejar um Brasil mais justo e menos desigual. *Samuel Hanan. Engenheiro, empresário e ex-vice-governador do Amazonas (1999-2002)