(Pixabay) Um amigo pediu desculpas por uma grosseria cometida, explicando que estava sobrecarregado por trabalho, problemas familiares, e frustrações pessoais e que sua vida estava uma loucura. Lembrei-me do Zé dos Papéis, que conheci há tempos, em uma pequena cidade do Interior paulista. Quando entrei em sua sala de visitas, senti-me em um grande depósito de papéis. Ele acumulava revistas e jornais. Era impossível enxergar a mesa, as cadeiras e o sofá da sala. Eram pilhas e mais pilhas que atingiam a metade da altura do ambiente. O ambiente cheirava a mofo, com alguns papéis úmidos, todos eles sendo consumidos pelas baratas, ratos e outros insetos. Ele era um acumulador compulsivo, que guardava sem considerar o seu valor real, mesmo não sendo um colecionador. Tinha dificuldades para descartá-los, armazenando tudo de maneira desorganizada e sem se preocupar em encontrá-los no futuro. Refleti sobre a mente do meu amigo com seus inúmeros problemas. Enquanto o Zé dos Papéis acumulava muitas coisas palpáveis, meu amigo acumulava preocupações intangíveis. Quanto espaço ocupado em seu cérebro dificultando o seu dia a dia, afetando, por vezes, até a sua saúde. Se a mente do meu amigo estivesse como a sala do Zé dos Papéis, seria difícil para ele distinguir entre preocupações pequenas e simples e aquelas grandes e complexas. Como qualificar todas juntas e desordenadas? Elas pareciam iguais. Seu cérebro estava sobrecarregado. Certa vez, ouvi de um filósofo da vida, um senhor de 80 anos, que disse: “se o problema tem solução, para que se preocupar? Se não tem solução, para que se preocupar?” Essa visão ressalta que algumas preocupações são inúteis, como estar em um avião onde não podemos intervir nos problemas do voo. Acumular preocupações insolúveis, raivas, decepções, rancores, frustrações e lembranças tristes é como encher uma sala de visitas com tralhas. O excesso de problemas não resolvidos cria uma bagunça mental, dificultando decisões e prejudicando o bem-estar. As tristezas não podem ocupar mais espaço em nosso cérebro do que as alegrias. Nosso cérebro não é elástico. Por isso, acumule boas lembranças e trabalhe para criá-las, pois são leves. Construa sua história de vida em caminhos positivos. Guarde na memória o que você gosta. A vida é curta, aproveite-a. O amor é raro, valorize-o. A raiva é prejudicial, descarte-a. O medo é ilusório, enfrente-o. Memórias são doces, aprecie-as. Acumule alegrias. *Administrador de empresas, escritor e membro da Academia Santista de Letras