Memorial José Bonifácio está distribuído em três salas e pode ser visitado de graça três dias por semana (Vanessa Rodrigues/AT) A cultura, espelho da alma social, floresce na memória viva de um povo. Em 13 de junho, a cidade de Santos acendeu uma nova chama em seu cenário cultural: o Memorial José Bonifácio, aninhado na vibrante Casa das Culturas. Mais que um espaço, é um convite à alma para desvendar a vida e obra de um gigante cuja visão moldou o Brasil e ecoou em academias de ciências da Suécia a Portugal. Sua essência, inclusive, batizou o mineral Andradita. Este santuário da memória nasceu do fervor das equipes da Fundação Arquivo e Memória e da Secretaria de Turismo de Santos. Com o apoio do Movimento Pró-Memória de José Bonifácio, um sonho coletivo desabrochou, entregando à comunidade um tesouro inestimável; um sopro de história que nos lembra de onde viemos e para onde podemos ir. A Casa das Culturas, casarão que respira arte desde 1900, não é apenas o lar deste memorial, mas um palco onde a criatividade se manifesta. Há 18 meses, sob a tutoria do poeta Flávio Amoreira, este espaço tem sido um farol de expressões artísticas, com encontros que iluminam as tardes de sábado. Ali, as palavras ganham vida em oficinas literárias, o saber flui em palestras, e a música se entrelaça com a poesia. O projeto “Santos é uma História: Conte a Sua” é um convite à escuta, onde santistas se tornam “livros humanos”, sussurrando memórias de tempos imorredouros: dos espetáculos musicais nos night clubs da zona portuária ao nascimento do mítico Santos F.C., o embaixador que levou o nome da cidade aos confins do mundo, eternizando a icônica Vila Belmiro, berço do Atleta do Século, Pelé. No Memorial, a própria voz de José Bonifácio ressoa. Ouvimos seus triunfos, suas angústias e as audazes estratégias políticas que teceram a tapeçaria de uma nação miscigenada. Acima de tudo, o Memorial é um tributo à sua luta incansável contra o tráfico negreiro e a escravidão, um clamor por uma nação onde a educação pública de qualidade fosse um direito de todos, sem amarras de gênero ou cor. Que tal uma visita a este santuário de memória e inspiração? Permita que o legado de José Bonifácio ilumine seu olhar sobre Santos e o Brasil. É notável o interesse demonstrado pelas autoridades estaduais, municipais e legislativas que, em seus discursos na comemoração dos 262 anos de nascimento do ilustre santista, evocaram loas, pompas e circunstâncias a ele. Alvíssaras! Três décadas transcorridas, observa-se a conscientização dos homens públicos da região sobre os escritos e ações políticas do estrategista, do iluminista e sábio homem público que, apesar dos vários percalços, soube como ninguém articular a Independência do Brasil. *José Geraldo Gomes Barbosa. Engenheiro, advogado, mestre em Direito Ambiental, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, do Instituto de História e Geografia de Santos e do Conselho de Minerva da UFRJ.