Cerca de 40 vagas de emprego são oferecidas no Porto de Santos (APS/Divulgação) É preocupante a advertência recente do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) sobre a possibilidade de um Super El Niño nos próximos meses, o que vem mobilizando governos e autoridades federais e estaduais em ações de prevenção contra alagamentos, enchentes e estiagens. O maior risco está concentrado na Região Sul do país, com previsão de chuvas intensas e desastres hidrogeológicos. Conhecemos bem esse cenário e tememos a repetição dessas tragédias. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas e Santos? Estamos livres de riscos? Um relatório técnico elaborado pela Prefeitura de Santos em parceria com a Unicamp revela que a cidade apresenta elevada vulnerabilidade geológica por estar localizada em uma ilha. O planejamento de cidades costeiras exige medidas capazes de reduzir erosão, alagamentos e salinização do solo, combinando barreiras naturais e artificiais. O monitoramento por satélites e sensores instalados no fundo do mar torna-se medida indispensável para uma gestão pública eficiente e preventiva. Santos funciona como um laboratório para testar quais dessas tecnologias melhor se adaptam às condições climáticas do Hemisfério Sul. Os dados colhidos aqui orientam o planejamento de outras metrópoles litorâneas que enfrentam riscos parecidos. Recentemente, um estudo internacional publicado na revista Nature Climate Change analisou a fragilidade do Sistema Global de Observação dos Oceanos (GOOS), rede formada por boias, navios e flutuadores distribuídos pelos oceanos do planeta. A pesquisa investigou como a redução na coleta de dados compromete previsões climáticas e serviços essenciais que dependem da medição do calor oceânico. Na Praticagem de São Paulo, utilizamos tecnologia de ponta para garantir o monitoramento permanente do canal marítimo e oferecer previsões seguras às operações portuárias. Nosso Centro de Coordenação, Comunicações e Operações de Tráfego, o C3OT, funciona 24 horas por dia atualizando informações sobre direção dos ventos, calado dinâmico, correntes marítimas, altura e período das ondas, entre outros dados fundamentais para a navegação segura. Além disso, nossos operadores mantêm contato constante com outras estações e regiões, permitindo antecipar mudanças bruscas nas condições climáticas e a chegada de ventos inesperados. E há dez anos contribuímos com nossos dados oceano-meteorológicos confiáveis que são repassados para a Universidade Santa Cecília e para a Defesa Civil. Se algumas situações ainda são difíceis de prever, existem procedimentos e ações capazes de reduzir riscos e minimizar impactos. E isso exige atuação integrada dos governos em todas as esferas e das empresas do setor portuário. O futuro sustentável da nossa região também depende de atenção permanente, responsabilidade e participação coletiva. Esse debate precisa estar presente dentro de casa, nas escolas, nas empresas, na imprensa, em campanhas públicas e nos espaços de decisão. Palavras sem ações se perdem no tempo. É necessário ampliar os espaços de discussão, incentivar novos projetos e envolver a sociedade no acompanhamento das medidas preventivas, para evitar que novas tragédias se repitam. Não temos muito tempo para fazer a diferença. Bruno Tavares é vice-presidente da Praticagem de São Paulo.