[[legacy_image_293591]] A criança cresce, o adulto amadurece ou idosa, a planta floresce, os frutos amadurecem, as paredes das casas mofam, escurecem, o tempo marca a vida, a natureza, os objetos. Bactérias e vírus novos e/ou modificados nos invadem. Uns nos beneficiam, outros nos agridem. A luta perene da sobrevivência dos seres alimenta a ciência. Uma das formas de preservar a saúde, para nosso bem-estar, é cuidar e manter todos e tudo, como dar atenção, ser preventivos e outras vezes curativos. Fazer manutenção dos bens, com prevenção e correção, assim pintar a casa, cuidar do telhado, não a deixar deteriorar, fugir de se contaminar. O pintor Gilson, pintando meu escritório, encontrou áreas com fissuras nas paredes que já foram pintadas, várias vezes, por profissionais diferentes. Há quem passe tinta por cima da tinta existente, mascarando a pintura e entregando o serviço como trabalho feito. Com Gilson não é assim. Ele raspa as partes comprometidas, trata-as, não com gesso, sim com argamassa, a seguir passa massa corrida e depois de lixar, pinta. Trabalho artesanal. Ele usa máscara em seu trabalho. Na pandemia da covid, a máscara era obrigatória por muito tempo, quase nos acostumamos ao uso rotineiro dela, a ponto de agora não chamar tanta atenção. Usa quem quer, quem precisa ou quem se sente corresponsável pelos outros. Assim, meu fisioterapeuta Rafael, ontem, apareceu de máscara porque estava rouco, sem nenhum outro sintoma. Atento, não queria transmitir vírus ou bactérias que me trouxessem malefícios. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está alertando sobre o aparecimento de nova cepa de vírus da covid. A EG.5, chamada de variante Éris, presente em 51 países. Segundo o Ministério da Saúde, em São Paulo apareceu o primeiro caso dessa doença. A Sociedade Brasileira de Infectologia, antes do surgimento desse caso, alertou sobre uso de máscara, predominantemente para as pessoas de risco: idosos, gestantes e imunodeprimidos. E para a população geral em aglomerações ou ambientes fechados. Após a digressão acima, voltando ao Gilson, ele usa máscara quando lixa as paredes para que o pó não penetre em seus pulmões causando-lhe complicações, como a pneumoconiose: doença pulmonar, fruto de poeiras inaladas. Conversando com ele, comentamos a importância de se proteger, ao que ele disse: um pouco de pó hoje, outro pouco ontem, mais um pouco amanhã, posso chegar a um pouco menos de vida. Pensou, eu velho com falta de ar, dificuldade de respirar, não conseguir andar porque respirei pó lixando paredes? Ele está consciente da situação e falou também: pensou eu inalar um vírus e não só encurtar a vida, mas ela terminar?