(Imagem Ilutrativa/Pixabay) “...e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”, disse Jesus, o Inequívoco. Tenho a impressão de que não compreendemos as palavras do Cristo. Não somos mansos de coração (afinal, são mais de 40 mil homicídios registrados no País a cada ano). Mas nos tornamos mansos em outro aspecto: mansos no brio. A mansidão, retroalimentada pela absoluta sensação de impotência diante do descalabro de governos que se sucedem desde a chegada das caravelas, manifesta-se como efeito esperado. Nem mais ousamos repetir o roto mantra de que Pindorama é o País do futuro. O que nos impede de atingirmos níveis de desenvolvimento verificados em países que nos contentamos em apenas admirar não se limita à deplorável postura estatal. É preciso reconhecer em que medida a sociedade é responsável por esse cenário. Os sucessivos casos de corrupção envolvendo agentes públicos não mais causam indignação. Fico com a impressão de que fomos submetidos à lobotomia coletiva. E os poucos que não tiveram as conexões dos lobos frontais do cérebro destruídas são justamente aqueles que, sem qualquer pudor, nos governam. Nunca esteve tão fácil para político de caráter, digamos, não ortodoxo. Cada um dentro de sua bolha está previamente absolvido de todos os pecados pelos eleitores. Naqueles países que invejamos, ops, que admiramos, por muito menos (muito menos mesmo), políticos desonestos são extirpados da máquina estatal, como células cancerígenas removidas para não contaminar o tecido sadio. Aqui, esperamos pela metástase. Caro leitor, convido-o para um exercício hipotético: vá aos limites de seu otimismo, imagine que, em outubro, todos os seus candidatos serão eleitos. Há espaço para ir além e acreditar que o País estará melhor com os políticos que ajudará a eleger? É possível crer que ministros do STF, deputados e senadores envolvidos na fraude do Banco Master serão efetivamente punidos? Creio que consigo adivinhar as respostas. Não basta sabermos votar bem (estágio no qual nem sequer chegamos), é fundamental abandonarmos essa “resignação pecadora” e exigirmos mecanismos legais para a célere remoção de políticos – e de quaisquer outros agentes públicos – em casos de corrupção. Um grande amigo costuma repetir que não somos desenvolvidos porque escolhemos o atraso. Ele tem inquestionável razão. E o que nos prende a esse atraso é, inegavelmente, o fato de sermos mansos diante do que aí está. *Arnaldo Luis Theodosio Pazetti. *Coronel da PM, advogado e escritor