A questão da propaganda subliminar foi abordada num episódio da série Columbo (EUA, 1968-1978): um homem assistia a um filme, no cinema, quando, subitamente, saiu e assassinou uma determinada pessoa. A estranheza do fato levou o brilhante detetive a se aprofundar no tema e usar do mesmo expediente para identificar o responsável pelo condicionamento do assassino. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos vídeos de então, a ilusão de movimento era gerada a partir de 24 quadros/segundo. O recurso utilizado para propaganda subliminar era inserir uma imagem nesse intervalo, focando no interesse de quem o fazia. O consciente não identificaria, mas o inconsciente, sim. Soube que um famoso fabricante de refrigerantes havia usado esse expediente, inserindo imagem de conteúdo sexual em sua publicidade. A imagem inconscientemente levaria quem assistisse a ter o desejo de consumir o refrigerante. Descoberta a prática, ela passou a ser proibida. Esse tipo de condicionamento já é feito há muito tempo, de forma explícita, por meio de doutrinações religiosas e ideológicas, que fazem com que pessoas só aceitem o que lhes é inculcado. Atualmente, essa condição é chamada de imunização cognitiva. Esse tipo de manipulação agora é utilizada pela repetição continuada e falta de opção do que é fornecido por alguns governos, mídias e influenciadores. Para piorar, a inteligência artificial permitiu que imagem e voz de pessoas passassem a ser utilizadas para falsear informações, divulgar mentiras, vender produtos ou terapias. Pessoas famosas têm suas imagens e vozes emuladas de tal forma que só é possível identificar a fraude pela incompatibilidade delas com o tema abordado. Políticos, médicos e pesquisadores aparecem em vídeos usando certos padrões, como contar uma longa estória, iniciada com frases do tipo “vejam e compartilhem este vídeo, antes que apaguem!” ou concluída com “vejam o vídeo a seguir”. A isso se somam imagens adulteradas e anacrônicas, usadas para incriminar adversários políticos ou corporativos. O nível técnico, a falta de ética e a prática dos “fins que justificam os meios” atingem tal nível que são necessários recursos altamente sofisticados para detectar as fraudes. Infelizmente, essas adulterações são aceitas como verdades, dependendo dos interesses de poder. Toda uma geração é alienada ou corrompida por condicionamentos que aliam, de forma criminosa, técnicas antigas com a mais moderna tecnologia, substituindo a inteligência humana pela artificial, desrespeitando a individualidade e a autonomia intelectual dos seres humanos, impondo cartilhas, estereótipos e palavras de ordem; disseminando mentiras e ilusões de um “mundo ideal”; e fomentando discriminação e ódio contra discordantes, como meio de prevalecerem. Vivemos tempos muito difíceis, e quem se opõe a essas práticas nefastas não está tendo vida fácil.