Excelente reportagem de A Tribuna no domingo. Há mulheres que passam pela vida como quem atravessa uma estrada silenciosa, deixando atrás de si apenas a poeira dos dias. Outras, porém, permanecem. Permanecem nos filhos, nas receitas antigas, nas fotografias amareladas, no modo de dobrar uma roupa, na oração repetida antes de dormir, no café servido cedo, na lembrança de um colo que parecia maior que o mundo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As páginas 6, 7 e 8 da edição dominical de A Tribuna revelam exatamente isso. Não apenas histórias de mães, mas fragmentos da própria alma brasileira. Vivemos um tempo curioso. O mundo moderno aprendeu a valorizar números, produtividade, tecnologia e velocidade. Mas continua sendo incapaz de medir a importância de uma mulher que sustentou uma família inteira durante 100 anos de existência. Não existe índice econômico capaz de calcular o valor de uma mãe que atravessou guerras, crises, perdas e mudanças sem abandonar a delicada obrigação de cuidar. As centenárias retratadas no jornal parecem saídas de um romance antigo, daqueles em que o tempo caminhava devagar e as pessoas aprendiam a resistir sem anunciar heroísmo. Elas nasceram num Brasil quase irreconhecível para os dias atuais. Viram cidades crescerem, costumes desaparecerem, famílias se transformarem e tecnologias substituírem afetos. Mesmo assim, continuam ali, vivas, lúcidas, produzindo, cozinhando, bordando memórias e oferecendo ao mundo a serenidade rara de quem compreendeu que a vida não se vence pela força, mas pela permanência. Existe algo profundamente comovente numa mulher centenária que ainda trabalha, escreve, cozinha ou cuida de alguém. Não por obrigação, mas porque certas mulheres jamais aprendem a existir apenas para si mesmas. Há nelas uma espécie de missão silenciosa que continua funcionando mesmo quando o corpo já pede descanso. Talvez seja isso o que diferencia as mães das demais criaturas humanas. O amor materno não termina quando os filhos crescem. Apenas muda de forma. Primeiro é mão que protege. Depois conselho. Mais tarde torna-se lembrança, oração e saudade antecipada. E então surge a página 8 trazendo talvez a mais bonita das maternidades. Não aquela limitada pelo sangue, mas a maternidade que escolhe acolher o mundo. Ao terminar a leitura dessas páginas, permanece uma sensação estranha e bonita. A impressão de que ainda existem mulheres capazes de salvar o mundo sem jamais pronunciar essa intenção. Fazem isso apenas vivendo. E cuidando.