(Reprodução) Um dia desses, com muita chuva, resolvi pôr em ordem minha biblioteca, um tanto bagunçada, nem tanto quanto a do saudoso Aldir Blanc, mas consegui pegar os livros de uma enorme estante. Uma das prateleiras quase encostava no teto, precisei de uma escada e, com cuidado, fui pegando livros grandes e de pouco uso, limpando um por um e separando-os em uma mesa ao lado. Para minha surpresa, deparei com três volumes embrulhados em um jornal. Desembrulhei e, para minha surpresa, eram volumes de lista telefônica: uma de Santos de 2007, outra de São Vicente de 2008 e outra da Baixada Santista, muito usada em décadas passadas. Como tal, não deixa de ser um livro volumoso e muito útil naquela época em que não havia redes sociais e internet. Talvez os mais jovens não saibam o que é uma lista telefônica. Era nada mais do que o Google do passado: um compêndio de telefones fixos residenciais e comerciais, por ordem alfabética, com o nome dos assinantes e, da metade para a frente, as páginas amarelas, de cunho comercial, de várias atividades, que, se você precisasse, encontrava lá. No início, havia os mapas e os bairros da cidade, incluindo o CEP, o início e o término da rua. Em uma outra lista, de endereços de minha cidade, havia os nomes dos assinantes. A gente podia saber todos os moradores que tinham telefone, muito útil na época, pois, em caso de emergência, poderia pedir auxílio a um dos moradores. Todo ano recebíamos uma nova lista telefônica, mais atualizada, e até outras com listas de outras regiões e de São Paulo. Ao receber a nova lista, tínhamos que descartar a antiga, às vezes na base de troca, sem ônus, ou ia para a reciclagem. Havia também muitas propagandas de anunciantes, que ocupavam uma página inteira ou metade, sempre buscando novos clientes, e com certeza funcionava a enorme lista telefônica que ficava sempre ao lado do telefone fixo. Hoje ficou apenas na lembrança. O mundo globalizado mudou muito, poucos ainda têm telefone fixo, porém sem a lista. Tenho o meu, que serve de enfeite, pois ninguém mais liga. É mais cômodo acessar o celular a qualquer hora do dia, infelizmente. Folhear a lista foi uma volta ao passado, ao ver publicidades de empresas que não existem mais, moradores da minha rua que se mudaram. Ficou apenas o registro de uma época marcante nos meios de comunicação. Hoje, todas as informações cabem na palma da mão, através dos celulares cada vez mais modernos. Temos todos os tipos de contatos de pessoas, empresas, hospitais, médicos e muito mais, pois com um simples toque dos dedos desvendamos o mundo em nossas mãos a qualquer hora do dia. *Mário Azevedo Alexandre. Jornalista, escritor, membro das academias Santista e Vicentina de Letras, e do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV)