( Marcelo Camargo/Agência Brasil ) Em breve, teremos a realização da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCT&I), sob o lema “Para um Brasil justo, sustentável e desenvolvido”, e muito pouco, ou quase nada, sobre isso foi notícia. Qualquer Conferência Nacional é organizada com grande antecedência, realizando etapas locais, estaduais e, às vezes, temáticas. Isso tudo ocorreu com a 5ª CNCT&I. Um evento que dará os parâmetros e traçará as diretrizes para a Ciência, Tecnologia e Inovação do nosso país. E a sociedade não está mobilizada para isso. Há uma letargia no exercício da cidadania no Brasil. Não valorizamos e utilizamos muito pouco os mecanismos de participação e cidadania que estão ao nosso dispor. Ouso dizer que, porque não os conquistamos de fato, foram, quase sempre, concedidos, como uma grande benesse que as elites concediam à plebe, achamos “bonitos”, mas não damos seu devido valor, tampouco sabemos usufruí-los. E esse habitual desuso os relega ao ostracismo, culminando em ampla ignorância acerca destes. Desse modo, por vezes, esses mecanismos de participação acabam aparelhados por grupos conscientes de sua importância, mas relativamente pouco representativos, embora, algumas vezes, sejam bem-intencionados, mas, às vezes, não o são. Quando escolhemos não escolher, inspirados em dom João VI, permitimos que essa escolha aconteça na unanimidade de poucos, sem eventuais ressalvas. E depois que essas escolhas saem da inércia, mudar seu rumo ou mesmo pará-las torna-se bastante difícil e custoso. No caso joanino, essa “não escolha” fora apenas um estratagema para dar-lhe tempo de organizar a fuga da Corte Portuguesa. Não somos educados, familiar ou institucionalmente, sob a égide do entendimento e inserção de conceitos mais elaborados de cidadania. Normalizamos relações socioeconômicas hierárquicas perversas, somente nos mobilizamos quando privilégios são ameaçados, vendo com ressalvas direitos universais. Enquanto nossas elites se comportarem assim, amando o capitalismo, mas absolutamente ignorantes sobre o verdadeiro estudo anatômico que Marx fez sobre ele em O Capital, achando que, ao lê-lo, se transformarão em comunistas, não avançaremos. Urge dialogarmos como sociedade e definirmos o país que queremos, e ato contínuo, as estratégias e ações que devemos fazer para realizar o nosso desejo, se não, seremos sempre esse gigante forte e poderoso, mas manso e manipulável, uma vez que não sabe, e parece não querer saber sobre o seu propósito, extasiado por alguns truques que aprendeu, tal qual a personagem Mimosa, em A Revolução dos Bichos, de Orwell. Que venha a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e com ela, oxalá, as sementes para a transformação do nosso País. *Luiz Paulo Neves Nunes. Professor, geógrafo, coordenador do Centro de Inovação Tecnológica de Guarujá e delegado na 5a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação