(Adobe Stock) A Baixada Santista tem se deparado com muitos casos de leishmaniose, o que tem preocupado muito a população, principalmente os proprietários de animais. Trata-se de uma doença infecciosa em animais e humanos causada por protozoários parasitários do gênero leishmania transmitidos pela picada de insetos da subfamília Phlebotominae. Existem três tipos principais: leishmaniose cutânea, leishmaniose mucocutânea e leishmaniose visceral. Hoje, contabilizamos mais de 30 casos somente na cidade de Santos. Não é um número de casos que qualifique como epidemia, mas é importante ficarmos atentos para evitarmos essa concretização. Neste ano, houve muitos casos identificados no Morro do São Bento, em Santos, que torna de vital importância a propagação das causas, prevenção e consequências dessa doença que pode levar a óbito animais e seus donos. Classificada entre as seis endemias prioritárias no mundo (segundo o Ministério da Saúde), a leishmaniose acomete principalmente cães, gatos e humanos, e é desconhecida por muitas pessoas. Os cães são considerados reservatórios da leishmaniose e fonte de infecção para o vetor (inseto). Ou seja, a doença não passa de cão para cão, nem de cão para pessoa, somente pela picada do mosquito transmissor infectado. Os sintomas demoram de dois a três anos para aparecer no animal e incluem pele e mucosas com feridas, queda de pelos da orelha e em volta do nariz, emagrecimento e crescimento exagerado da unha. Os órgãos internos como fígado, baço e pulmão, são afetados. Já em humanos os sintomas são febre intermitente por semanas, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia, palidez, aumento do baço e do fígado, comprometimento da medula óssea, problemas respiratórios, diarreia, sangramento na boca e nos intestinos. Quem apresentar os sintomas deve sempre procurar o veterinário de sua confiança. Para prevenir, quem mora em área de mata deve usar repelentes e roupas de manga comprida - o mesmo vale para quem for fazer trilhas. Já os cães devem usar coleiras com repelente, ficar em áreas teladas e, se possível, serem vacinados contra o problema. Importante esclarecer que a doença é qualificada como infecciosa, mas não é contagiosa. Não passa pelo toque, somente e exclusivamente pelo mosquito transmissor. O Poder Público tem feito sua parte, tendo realizado exames e criado uma Comissão de Investigação, Prevenção e Controle da leishmaniose e dado capacitação periódica aos agentes de controle de endemias e demais profissionais de saúde da rede municipal. Cabe à população também agir nesse sentido, realizando exames e principalmente dando atenção aos nossos animais, colocando coleira repelente e mantendo em locais telados em caso que se confirme a doença que não tem cura, mas quanto antes identificada facilita o controle e o tratamento da doença. Se todos nos empenhamos, a Leishmaniose não vencerá essa guerra na Baixada Santista. *Médico veterinário, mestre em Saúde Pública, membro da Academia Santista de Letras e da Academia de Letras e Artes de Praia Grande