(Davi Pinheiro/Divulgação) Em 1980, nosso PIB era aproximadamente 24% maior que o da China. De lá para cá, o Reino do Meio – nome da China em mandarim – se transformou de nação de miseráveis na segunda maior economia do mundo. Foram 800 milhões de pessoas resgatadas da pobreza extrema. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O país foi além: formou uma classe média de 400 milhões de chineses (praticamente o dobro da população pindoramense). E nos próximos 10 anos projeta-se que essa classe chinesa dobre de tamanho. Não é irônico que uma ditadura se preocupe em desenvolver a camada média da população? Por aqui, a “saudável democracia” – que tanto romantiza a miséria – não se contenta em asfixiar a classe média com impostos e, deliberadamente, a demoniza – há poucos dias, a propaganda oficial da Casa Civil do Governo Federal chamava de playboy quem ganha acima de R\$ 5 mil (depois da desastrosa repercussão, a peça publicitária foi removida). Deixemos de lado o fato de se tratar de comunicação tosca e preconceituosa, e fiquemos apenas com sua mensagem: para o governo, quem recebe esse valor é rico. Atualmente, o PIB chinês é 9 vezes o nosso. Seria enfadonho dissecar os fatores que explicam o sucesso econômico chinês. Resumidamente, pode-se dizer que, nas últimas 5 décadas, a China acertou na maioria das escolhas que fez. O sucesso chinês fez surgir nova expressão para se referir a seu modelo econômico: capitalismo de Estado (ou socialismo de mercado). Um fator que contribui para o enriquecimento da China é a carga horária laboral. Parcela dos chineses cumpre escala conhecida por 996: início do trabalho às 9 horas da manhã, término às 9 horas da noite, 6 dias por semana. Ok, um exagero para padrões ocidentais. Mas por que precisamos buscar o outro extremo? Por aqui, há proposta para se acabar com a escala 6x1, com redução de jornada de 44 para 36 horas semanais. A desidratação da carga horária em discussão vem desacompanhada de qualquer solução para incremento de produtividade ou de alívio na carga tributária a quem gera empregos. Até pouco tempo, a proposta não era levada a sério. Em ano de eleição, essa ideia vem ganhando musculatura. Parte considerável do Congresso Nacional já pensa em aprovar a proposta. Políticos ficam radiantes com os votos garantidos para outubro e a economia do País a gente vê depois. Afinal, caro leitor, é sempre bom renovar a esperança de que somos o País do futuro – que nunca chega –, não é mesmo? *Arnaldo Luis Theodosio Pazetti. Coronel PM, advogado e escritor