[[legacy_image_307416]] A Islândia soube reduzir drasticamente o consumo de tabaco, álcool e outras drogas entre os jovens nas últimas três décadas. Uma saudável revolução da juventude no país, mas que o atual governo do Brasil insiste em ignorar. Lamentavelmente, não há escuta. Sem atalhos comportamentais, mas embasados por pesquisas científicas sobre a realidade da juventude e sua vulnerabilidade de acesso às drogas, a partir das lícitas, conquistaram passo a passo crescente sustentabilidade no declínio ao uso e abuso de substâncias psicoativas. Planejamento e ações concretas. Inicialmente, houve a busca da resposta à indagação: qual melhor ambiente pode ser oferecido a jovens, desde a infância e adolescência? Há 30 anos, adolescentes islandeses estavam entre os que mais bebiam na Europa. O sucesso vivenciado hoje por lá não ocorreu por acaso. É fruto da implantação de políticas corajosas, sérias e eficazes, tendo o ser humano como eixo principal e visando evitar o estabelecimento de gradativa e crescente relação destrutiva com a droga. Contando com a imprescindível vontade política do então sensível e interessado prefeito de Reykjavik, cujo decisivo apoio passou a persuadir e agregar lideranças dos poderes governamentais de todo país, realizou-se amplo estudo extraordinariamente intenso e profundo sobre o estresse na vida de crianças e adolescentes. Os resultados obtidos foram alarmantes. Em todo o país, quase 25% dos jovens fumavam diariamente e mais de 40% haviam se embriagado no mês anterior. Os centros mais problemáticos e suas peculiaridades foram indicados. A análise expôs diferenças claras entre a vida de quem bebia, fumava e consumia outras drogas em comparação com a daqueles que não utilizavam essas substâncias. Com o diagnóstico nacional concluído, foram formadas coalizões regionais integradas pelo governo, em suas interfaces, incluindo o Parlamento, a Justiça e setores da sociedade civil, surgindo então o novo plano nacional, que recebeu o nome de Juventude na Islândia. As leis mudaram. Penalizou-se a compra de tabaco por menores de 18 anos e a de álcool por menores de 20. Proibiu-se a publicidade das duas substâncias. Reforçaram-se os vínculos entre os pais e os centros de ensino – o Casa Escola. Foi aprovada lei federal que proibiu que adolescentes de 13 a 16 anos saíssem sem a companhia dos pais depois das 22h no inverno e da meia-noite no verão. A norma continua vigente. A Islândia ocupa hoje o primeiro lugar no ranking europeu sobre adolescentes com um estilo de vida saudável. A taxa entre 15 e 16 anos dos que consumiram grande quantidade de álcool caiu de 42% em 1998 para 5% em 2022. Já o índice dos que haviam consumido cannabis alguma vez passou de 17% para 7%, e o de fumantes diários de cigarros despencou de 23% para apenas 3%. Não é à toa que Reykjavik, capital da Islândia, insular, banhada pelo Atlântico Norte, foi se tornando entre as mais inteligentes cidades do mundo, segundo estudo do Iese Cities in Motion. Milagre islandês? Certamente, vontade política de homens públicos altruístas, com postura histórica de corrupção zero, voltados aos reais interesses coletivos e não a seus projetos de poder, prosperidade financeira e enriquecimento pessoal. Existem lições valiosas que as smart cities islandesas podem nos ensinar. O êxito na formação de Coalizões Comunitárias Antidrogas é um precioso exemplo, com benefícios ao bem-estar psicológico e físico geral de milhões de jovens, impacto positivo nos orçamentos públicos de saúde e redução dos elevados custos sociais. Contudo, vez que as noites mais escuras produzem as estrelas mais brilhantes, que nunca nos falte a esperança de dias melhores.A Islândia soube reduzir drasticamente o consumo de tabaco, álcool e outras drogas entre os jovens nas últimas três décadas. Uma saudável revolução da juventude no país, mas que o atual governo do Brasil insiste em ignorar. Lamentavelmente, não há escuta. Sem atalhos comportamentais, mas embasados por pesquisas científicas sobre a realidade da juventude e sua vulnerabilidade de acesso às drogas, a partir das lícitas, conquistaram passo a passo crescente sustentabilidade no declínio ao uso e abuso de substâncias psicoativas. Planejamento e ações concretas. Inicialmente, houve a busca da resposta à indagação: qual melhor ambiente pode ser oferecido a jovens, desde a infância e adolescência? O êxito na formação de Coalizões Comunitárias Antidrogas é um precioso exemplo, com benefícios ao bem-estar psicológico e físico geral de milhões de jovens, impacto positivo nos orçamentos públicos de saúde e redução dos elevados custos sociais. Contudo, vez que as noites mais escuras produzem as estrelas mais brilhantes, que nunca nos falte a esperança de dias melhores.