(FreePik) Nos anos 1990, o autor americano Daniel Goleman contribuiu para popularizar o conceito de inteligência emocional, revolucionando o dia a dia das lideranças nas empresas e da gestão de pessoas. Agora, com a necessidade de lidar com eventos climáticos extremos frequentes e suas consequências, precisamos de uma nova mudança nessas mesmas proporções. E se passássemos também a olhar nossos talentos e organizações por meio da ótica de uma Inteligência Sustentável? Uma coisa é ter metas ambientais. A outra é estar preparado para atingi-las. Uma liderança alimentada pelo espírito da Inteligência Sustentável é hábil na visão de perenidade dos negócios, das pessoas e do planeta. Negócios que, diante de transformações rápidas, não temam pivotar continuamente e se reinventar em função de novas necessidades – para se sustentarem e se manterem duradouros, ainda que se tornem diferentes do que eram no início. Se um dos pilares da inteligência emocional é “conhecer suas emoções”, na sustentável é reconhecer o mundo que nos cerca para compreender a reação dele aos nossos impactos. Se outro pilar é “controlar suas emoções”, na Inteligência Sustentável precisamos identificar o quanto uma liderança está disposta a implantar ações eficientes por um lugar mais habitável. Fazer da sustentabilidade, como na inteligência emocional, uma jornada em evolução incessante de autoconhecimento, e de conhecimento do ambiente. Em um processo seletivo, o diretor da área de gestão de pessoas poderia solicitar ao candidato: conte uma situação em que teve que usar recursos de modo mais racional para reduzir sua pegada de carbono. Qual o seu maior defeito na construção de um mundo mais sustentável? Tem alguma pergunta final sobre nossa atuação ESG? A inteligência verde mediria o quanto estamos aptos a construir relações saudáveis e a mobilizar os que estão à nossa volta na construção de hábitos seguros para a Terra. Em vez de um QI, um QIs, ou Quociente de Inteligência Sustentável, que jamais estaria dissociado da inteligência emocional, uma vez que a dificuldade de eliminar ou mitigar riscos ambientais também pode ser um fator de estresse para as relações humanas. Hoje já não se cresce mais sem Inteligência Sustentável. Entre as organizações brasileiras que desse destacam em inovação, a Natura conserva na Amazônia uma área comparável a 12 vezes a da cidade de São Paulo, com programas de educação e agrofloresta. A Riachuelo lançou este ano uma coleção de moda circular, feita a partir do reúso de oito toneladas de resíduos têxteis de sua própria fábrica. Na Klabin, a substituição de combustíveis fósseis permitiu reduzir 67% de emissões de gases do efeito estufa para cada tonelada de produto fabricado, entre 2003 e 2021. Esses são apenas alguns exemplos de como profissionais que pensam dessa forma têm feito a diferença. Na sua empresa, com certeza eles estão fazendo também. Seja bem-vindo à era da Inteligência Sustentável. *Thomas Gautier. Executivo e CEO da Freto