Aplicar a inteligência artificial dentro da navegação poderia, por exemplo, atingir previsões climáticas mais precisas, evitando tragédias (Imagem ilustrativa/Pexels) “O que todos devemos fazer é nos certificar que estamos usando a inteligência artificial de uma maneira que beneficie a humanidade, e não que a deteriore” - Tim Cook, CEO da Apple Diariamente lemos - e nos preocupamos - com os avanços da inteligência artificial (IA) em todas as áreas. Enquanto para uns significa o fim dos tempos, para outros representa ferramentas para uma vida melhor, utilizando com ética e sabedoria o poder das máquinas. Pessoalmente, acredito que não devemos temer, mas sim procurar conhecer o que a inovação pode trazer de positivo para nossas áreas de atuação. No início, o celular era ameaçador e hoje, mesmo com as inúmeras possibilidades que cada novo modelo traz, já nos adaptamos a ele. Por que devemos ter medo da IA? Ela já provou ser excelente em muitas áreas. As aplicações de inteligência artificial na saúde incluem a telemedicina, robôs cirúrgicos cada vez mais comuns em cirurgias e em sistemas para diagnósticos e prevenção de doenças. A Suzano, de celulose, está testando o primeiro caminhão elétrico autônomo sem cabine da América Latina. E há muito pela frente na agricultura, comércio, cultura, negócios e até na previsão do tempo. As principais empresas de tecnologia do mundo estão prestes a lançar programas específicos para isso. Na navegação, principalmente, em que lidamos com a imprevisibilidade que as mudanças climáticas trazem, estamos torcendo para que os estudos a partir da IA possam trazer previsões precoces para evitar tragédias, afinal nem tudo está apenas ao alcance da percepção humana. Claro que a experiência, o conhecimento e a técnica continuam sendo fundamentais em nosso trabalho na Praticagem e em tantos outros, mas os tão falados algoritmos têm capacidade para antever com exatidão eventos como terremotos, furacões e enchentes a partir de dados em tempo real. Há sistemas que podem identificar até rompimento de cabos de amarração de plataformas oceânicas. Pesquisadores da Universidade de Maryland estão desenvolvendo estudos com base em uma rede neural que pode alertar com antecedência a chegada de ondas gigantes. Já imaginaram o quanto a temida IA poderia salvar de vidas no mar e impedir acidentes? Os pesquisadores estão treinando com o sistema de IA como analisar as ondas oceânicas gigantes e até agora os resultados foram animadores: o sistema identificou com uma taxa de precisão de 75% esses eventos. Ainda no setor marítimo, nos deparamos com os impactos que a chegada dos navios autônomos podem causar. Em fase de testes, essas embarcações praticamente sem tripulação, teriam um custo bem maior e segurança questionável que ainda não se justificam, além de imprevisíveis resultados em questões jurídicas. Algumas empresas lideram o processo, como a CMA CGM, que anunciou uma parceria com o Google para acelerar a implementação de IA em operações globais. O projeto vai otimizar o manuseio de contêineres, o gerenciamento de estoque e as rotas dos navios, garantindo a entrega pontual, além de reduzir custos e pegadas de carbono. Para quando? Acredito que ninguém tem a resposta para essa e tantas questões. Sabemos que os avanços no campo da IA têm sido rápidos e precisos no suporte às atividades humanas e na defesa do Meio Ambiente, mas é preciso considerar os impactos negativos que poderiam trazer ao mercado de trabalho global. Não há dois pesos e duas medidas que justifiquem privilegiar as máquinas. A tecnologia, a consciência e os princípios morais devem caminhar juntos. *Bruno Tavares, Vice-presidente da Praticagem de São Paulo