A evolução dos seres humanos começou quando os instintos passaram a ser controlados pela racionalidade. A convivência em grupos ou entre grupos levou ao estabelecimento de regras de convívio, e os instintos passaram a ser controlados de várias formas, seja pela conscientização, seja pelo consenso, seja pela dominação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O curioso — nem tanto — é que várias dessas civilizações descrevem fatos históricos, confirmando que ocorreram, embora as interpretações dadas sejam diferentes, bem como as deidades associadas. O dilúvio, por exemplo, é mencionado na Bíblia e em outros livros sagrados, inclusive nos escritos da civilização considerada a mais antiga: a dos sumérios. Em todos os casos, ele é descrito como uma reação divina à decadência dos seres humanos, quando os instintos passaram a subverter a racionalidade. A destruição de Sodoma, Gomorra e Jericó não foi muito diferente, embora seletiva. O surgimento das primeiras comunidades, seguido da criação de cidades-estado e reinos, impôs a necessidade de criar normas mais rígidas, adotadas por religiões e governos seculares. O código mais antigo é considerado o de Ur-Namu, dos sumérios, datado aproximadamente de 2050 a.C.; e o mais conhecido é o de Hamurabi, criado por volta de 1750 a.C., baseado na Lei de Talião, com ênfase em reciprocidade. Na tradição judaico-cristã, os Dez Mandamentos foram entregues por Deus aos hebreus entre 1290 e 1250 a.C. Freios de instintos são comuns em ambos. Considerando os instintos primitivos, os únicos que parecem difíceis de controlar são o materno e o de sobrevivência. O materno também está sendo adulterado, parte de um projeto de substituição da formação familiar por uma coletivização controlada por alguns regimes de governo e religiões. O problema é que uma progressiva distorção na abordagem sobre direitos humanos e liberdade de expressão tem levado países ocidentais a um retrocesso permeado por contradições e ambiguidades. Ideologias que defendem a liberdade sem limites e os “direitos” de criminosos são as mesmas que, nos países que dominam de forma hegemônica, perseguem opositores, relativizando ou interpretando leis para puni-los, ao mesmo tempo que relevam os mesmos crimes dos que comungam com suas ideias. Assim, embora constituições afirmem que todos são iguais perante a lei, isso não ocorre na prática. Deveres são sempre para os outros, e a liberdade de expressão também é seletiva. Parte desse processo deletério de promover certos instintos primitivos, sobretudo os hedônicos, e frear a racionalidade inclui a destruição de valores tradicionais, reescrita da história, doutrinação desde a infância e patrulhamento ideológico. Essa fórmula já rendeu milhões de mortes de inocentes, físicas e cognitivas. Os defensores dessa “revolução” em verdade estão consumando uma involução, mesmo que afirmem o contrário, com seu proselitismo oportunista.