[[legacy_image_318340]] Habilidade cognitiva e capacidade de cooperação entre membros da subespécie nos trouxeram ao topo da cadeia alimentar planetária. Mas nossa supremacia entre os seres vivos que não realizam fotossíntese não foi capaz de nos livrar de pessoas insensatas. Prefiro o adjetivo “insensatas” a mencionar “falta de bom senso” por esta ser expressão que varia entre indivíduos. Por exemplo: qual bom senso deve ser tomado como referência, o de pessoas que entendem ser hábito paleolítico descartar resíduos em locais inadequados ou o de fumantes que jogam bitucas de cigarro nas ruas? Governos são formados por pessoas, algumas (ou muitas) insensatas, e é natural (na verdade, necessário) depositarmos certa confiança neles, se não na lisura ou competência em suas gestões, ao menos confiança de que não agirão com insensatez. Ledo engano. E, assim, desprezamos a História. Os episódios de governos insensatos, em maior ou menor grau, são incontáveis. No início da década de 1980, durante profunda crise econômica, o governo da Argentina, em desesperada tentativa em se manter, resolveu declarar guerra contra a Grã-Bretanha pela disputa das ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul. A Argentina – de forma humilhante – perdeu a guerra, o governo militar não se sustentou, e os problemas econômicos daquele país se agravaram. O Paquistão pertence ao restrito clube dos países detentores de arsenal nuclear, mas ocupa o 161° lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – numa lista de 191 países, com dados de 2021. Do outro lado da fronteira está seu potencial inimigo, a Índia, que além de também possuir bombas atômicas, recentemente, entrou para um grupo ainda mais seleto, ao lado dos EUA, da ex-URSS e da China: o de países que pousaram na Lua. O respeitável avanço tecnológico da Índia não apaga o cenário medieval de que, no país mais populoso do mundo, praticamente metade das residências não possui banheiros. Essa parte da população utiliza calçadas e ruas como sanitários. Nos últimos anos, o Hamas recebeu bilhões de dólares em ajuda externa. Poderia ter priorizado melhorar a qualidade de vida da população de pouco mais de 2 milhões de palestinos na Faixa de Gaza (com mais da metade das pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza), mas preferiu construir centenas de quilômetros de túneis para viabilizar suas atividades terroristas. O exemplo mais recente de insensatez governamental vem de nossa vizinha Venezuela. Diante de crônica crise econômica, o governo venezuelano encontrou uma solução mambembe: anexar a região de Essequibo, hoje pertencente à sua vizinha Guiana. Para tanto, realizou plebiscito que, segundo o governo, obteve 96% de votos a favor da anexação (a “lição de democracia” do presidente Maduro ensinando a votar “sim” no plebiscito foi um episódio à parte). Exemplos de insensatez governamental também são encontrados por aqui. Caro leitor, há sentido em se requentar a pretensão de se utilizar o BNDES para fomentar a infraestrutura de países na América Central e na África enquanto metade da população brasileira ainda não tem acesso à rede de esgoto?