[[legacy_image_292774]] O processo da Independência da América Latina tem raízes na crise política de Península Ibérica no início do século 19. Portugal é invadido pelos franceses, em 1807, e a Espanha, humilhada, tem um estrangeiro como rei, um irmão de Napoleão Bonaparte. Nos vice-reinos hispano-americanos, houve duas correntes políticas: a que achava que poderiam seguir unidos à Espanha, chamada de Mãe Comum, e a segunda que pregava a independência total - corrente que venceu. Líderes como Simon Bolívar, da Venezuela, e San Martín, da Argentina, além de outros, pensavam em manter a unidade hispano-americana que seria comandada pela Venezuela e Argentina, mas as disparidades geográficas e culturais e as rivalidades entre partidos e grupos tornaram a ideia irrealizável. O próprio Bolívar escreveu: espanhóis e canários, contai com morte, ainda sendo indiferentes. Americanos, contai com a vida, ainda que sejais culpados. Dentro do esfacelamento político da América espanhola, houve grande violência e não raro, anarquia. Em Caracas, Venezuela, por exemplo, discursava-se exaltando a anarquia, considerando-a sinônimo de liberdade. Vicejou por toda a América Latina o caudilhismo, assim como a opressão: sobre os povos emancipados e enquanto mais se pronunciavam as palavras liberdade e democracia, mais escárnio se faz delas na vida prática. A antiga aristocracia é assassinada sem piedade, caindo sobre ela chusmas de negros e mulatos. No México, grupos de índios e negros atacam os brancos ou espanhóis com violência e mortes. A desordem e a desunião aconteceram, também, na América Central, cujo fracionamento político foi facilitado pelas condições geográficas. Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Paraguai são palcos de lutas dolorosas, assassinatos políticos, traições, golpes e revoltas. Muitas décadas se passarão até que acomodações permitam a esses países, que adotaram como regime político a República, regularizarem suas vidas políticas e escaparem da influência de países poderosos. O Brasil independente, em 1822, único país de língua portuguesa, tornou-se a única monarquia na América do Sul e conseguiu, após lutas, manter a unidade territorial. Destino da larga Pindorama e do lindo Brasil, nosso país.