[[legacy_image_303683]] Para falarmos de inclusão, não basta somente que a criança atípica esteja presente, ela precisa participar e estar inserida na atividade, de acordo com suas condições e necessidades. Incluir é trazer a criança para o convívio em sociedade, de forma participativa. Antes de ter um diagnóstico com síndromes, disfunções ou comorbidades, essa criança tem nome, corpo, característica físicas e DNA únicos e precisa ver sua individualidade ser respeitada, assegurando a construção da sua identidade pessoal no apreciar e conhecer o mundo. Essa criança tem gostos e preferências como todas as outras, assim como seus brinquedos, personagens, musiquinhas, comidinhas, desenhos, programas, animais e até celebridades favoritas. A vivência cotidiana com as crianças atípicas sempre é algo inédito. Elas gostam de receber colinho, carinho, atenção, brincar, conversar, ir à praia, ao parquinho, às festas de aniversário, ganhar presentes e fazer muita bagunça. Toda criança faz arte, seja na pintura, na escrita, na dança, no esporte, no teatro, na música, desenhando ou contando uma historinha. A criança atípica também demonstra os seus talentos, superando as dificuldades de interação, coordenação motora, locomoção, comunicação e falta de inclusão. Somente olhos sensíveis podem ver seus esforços para participar e se expressar através de cada gesto de imitação, dos seus movimentos, traços no papel, troca de olhares e até mesmo um simples sorriso. As crianças atípicas, quando vistas, são capazes de surpreender a todos e merecem esse reconhecimento de maneira que se valorize a diversidade. Elas descobrem o mundo através de nós, das experiências que oferecemos a elas, do cuidado, da atenção, do acolhimento, das brincadeiras, da alegria, da empatia, pois, nessas práticas cotidianas, as crianças aprendem, interagem e se desenvolvem. Para que essas trocas aconteçam, precisamos estar por inteiro, construindo relações saudáveis, aconchegantes e de qualidade, aprender a conviver com as diferenças, estando abertos a perceber e partilhar essas experiências a fim de que o repertório de todos seja ampliado de maneira respeitosa. Deve haver uma mudança na forma de pensar em relação a essa criança, valorizando o potencial natural e as limitações, de maneira que as suas reais necessidades sejam supridas. Não podemos aceitar a indiferença. As crianças devem ter acesso e oportunidades na sociedade e, para isso, precisamos exercitar a inclusão, respeitar as diferenças, dar espaço ao diálogo e olhar com ternura ao que é vivido, porque só sabe a dor da exclusão quem vivencia a discriminação, em função de suas condições físicas e mentais julgadas anormais para o padrão socialmente aceitável. Tudo o que essas crianças têm a oferecer é amor, pois são incapazes de confabular o mal aos seus semelhantes. Cada conquista dessas crianças é uma vitória nossa também, enquanto participantes ativos de uma sociedade inclusiva, aceitando o outro com suas diferenças e valorizando a sua presença no mundo. Sendo a vida uma jornada tão imprevisível, é importante que essas famílias de crianças atípicas tenham uma rede de apoio sólida para não se sentirem isoladas, desamparadas e frustradas, recebendo o suporte para uma vida mais digna, mais justa e participativa na sociedade. A partir dessa perspectiva, a criança encontrará apoio para enfrentar as adversidades, sentindo-se amparada e acolhida por uma sociedade mais inclusiva e mais humana. Ajudando a transformar vidas, o amor é a terapia mais eficiente.