[[legacy_image_262820]] Recentemente, em evento político, o presidente Lula deu uma declaração extremamente errada, preconceituosa e capacitista. Prefiro não repetir os termos nem me ater a esse fato deplorável, típico daquelas pessoas arrogantes e ignorantes que se arvoram no direito de opinar sobre temas desconhecidos. A verdade é que palavras assim, quando saem da boca de um presidente da República, ganham peso enorme e conseguem aprofundar estereótipos e obstáculos sociais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Não se pode ser preguiçoso ou desidioso: o conhecimento acerca dos temas envolvidos com a inclusão social exige uma busca ativa pelas mais diversas individualidades, sendo certo que somente pela convivência plural e democrática da sociedade é possível compreender as reais capacidades, e necessidades, de cada pessoa. Por isso que, a partir dessa declaração desastrosa, proponho uma reflexão profunda e honesta para todos aqueles que buscam fomentar o desenvolvimento da sociedade a partir de estrutura inclusivas. Será que estamos nos posicionando a favor da inclusão social ou utilizamos essa temática como instrumento vinculado ao favorecimento de nossas conveniências ideológicas e político-partidárias? E se essas mesmas expressões tivessem saído da boca de adversários políticos? Qual seria o nosso posicionamento? É preciso ter em mente que sempre que aparelhamos alguma causa em favor de qualquer ideologia político-partidária, estamos aprofundando as barreiras e, assim, a exclusão social. Em primeiro lugar, pelo motivo de que não favorecemos o livre desenvolvimento das dignidades individuais. Ou seja, não encaramos as pessoas, em sua profunda diversidade, como fins em si mesmas. Ao contrário, percebemo-las como instrumentos vinculados às nossas finalidades pessoais e preferências ideológico-partidárias. Em segundo lugar, pela razão de estarmos em um cenário político extremamente polarizado: ao invés do diálogo construtivo com eventuais adversários, preferimos a completa exclusão deles dos debates nacionais. Dessa maneira, cada grupo, cada vez mais enclausurado em suas bolhas, perde a noção do todo social, prejudicando a construção coletiva, pelas individualidades livres e emancipadas, de estruturas sociais inclusivas e justas.