(Fernanda Luz) Eduardo Leite, Fernando Haddad, Guilherme Boulos, Gusttavo Lima, Jair Bolsonaro, Lula da Silva, Pablo Marçal, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas: se eu estivesse num cassino e pudesse apostar em todos eles, quebraria a banca, pois, nesse rol – mencionado em ordem alfabética – está incluído o nome do próximo presidente de Pindorama. Alguns possuem chance real; outros, só querem garantir um Ministério ou fama para conquistar uma cadeira no Legislativo na eleição seguinte. Obviamente, o caro leitor nutre simpatia por alguns deles, e franze a testa e os lábios por outros. Cada um com suas preferências. Ou por omissão, para os mal-intencionados, ou por impotência, para os bem-intencionados, há algo em comum nesses pretensos candidatos ao Planalto: nenhum resolverá a crônica crise de segurança pública que, em tanatose, todos nós constatamos. Apenas nos últimos dias, testemunhamos o latrocínio praticado contra um ciclista, na Capital paulista; o espancamento ‘por esporte’ de um idoso e o também espancamento de uma senhora durante tentativa de roubo; e o ataque de criminosos armados com fuzis a uma delegacia policial na Baixada Fluminense. Alvoroço na imprensa e declarações coléricas de governador resultarão em quê? Absolutamente nada. Não tenho ânimo para utilizar palavras que, atualmente, podem assumir milhares de acepções como ocorre com ‘orgânico’, ‘disruptivo’ e, especialmente, ‘estrutural’. Mas, sarcasticamente (e, afinal, quando não sou sarcástico em minhas crônicas?), utilizei essa última no título. É preciso repetir(?): o estado foi criado para garantir aos cidadãos o direito à segurança. Com o passar dos séculos, outros penduricalhos, quer dizer, direitos foram gradativamente sendo incorporados por constituições mundo afora. Aqui, policiais, promotores e juízes que ainda se dedicam ao combate ao crime, veem seus esforços resultarem em quase nada. A impunidade é estrutural em Pindorama. A legislação em vigor se materializa em pífia resposta estatal às condutas criminosas. Participar de passeatas em avenidas e praias contra a violência não altera coisa alguma. Enquanto deputados e senadores tiverem como ocupação principal a liberação de emendas parlamentares, não haverá energia para legislar. Não percamos tempo com disputa ginasial entre direita e esquerda. É preciso cobrar os políticos que elegemos. O crime é organizado. E nós? Arnaldo Luis Theodosio Pazetti. Coronel da PM, advogado e escritor.