(Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados) O recém-proposto Imposto Seletivo (IS), ou como vem sendo chamado “Imposto do Pecado”, tem gerado um furor na esfera política e na sociedade brasileira. O objetivo é claro: taxar produtos e atividades que, segundo o governo, são nocivos à saúde pública ou ao meio ambiente. Sob a nova proposta, veículos, cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, além de bens minerais, serão os alvos. A Receita Federal será responsável por administrar e fiscalizar essa nova tributação. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma das grandes polêmicas que envolvem o IS é a possível inclusão de carros elétricos na lista de itens taxados. O governo justifica que, apesar de não emitirem gases poluentes durante o uso, a fabricação das baterias de veículos elétricos deixa uma pegada ambiental significativa devido à mineração de metais como lítio e níquel. Essa abordagem levanta questões sobre até que ponto estamos dispostos a abrir mão do benefício ambiental de reduzir a emissão de carbono em favor de uma arrecadação fiscal. O grupo de trabalho (GT) da Câmara dos Deputados que analisa a proposta de regulamentação da reforma tributária decidiu incluir proteína animal, como carnes e frango, na cesta básica com isenção de imposto. Pelo projeto enviado pelo governo, alimentos como carne bovina, suína, ovina, caprina e de aves teriam apenas uma alíquota reduzida em 60%. Outro ponto de discussão é a taxação dos jogos de azar, recentemente liberados pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Interessante, porém, é a medida de “cashback do povo” que o governo propôs. Para quem ganha até meio salário-mínimo, parte dos tributos pagos em contas de serviços essenciais e botijões de gás seria devolvida, o que, teoricamente, alivia o peso do imposto sobre os mais vulneráveis. Além disso, uma nova cesta básica nacional foi definida, com 15 itens isentos de impostos, além de descontos em produtos como carnes e peixes, o que se alinha com a tentativa de promover uma alimentação mais saudável. A questão que persiste é: o Imposto do Pecado serve ao propósito moral de desincentivar o consumo de produtos prejudiciais ou é apenas uma estratégia de arrecadação fiscal disfarçada? Será que penalizar os consumidores é a melhor maneira de promover mudanças sociais e ambientais? À medida que o projeto avança, essas perguntas precisam ser cuidadosamente consideradas, para que o peso do tributo não recaia desproporcionalmente sobre aqueles que menos podem suportar.