Visitar o imóvel antes de realizar qualquer pagamento é uma das dicas (Carlos Nogueira/Arquivo AT) Neste mês, a Região Metropolitana da Baixada Santista completa 29 anos de existência. Um marco importante, mas que infelizmente coincide com um período de estagnação nas políticas públicas integradas e nos projetos estruturantes. Há cerca de cinco anos, a região viveu um ciclo de avanços concretos. Projetos metropolitanos nas áreas de mobilidade, habitação, meio ambiente e turismo foram elaborados e entregues. No turismo, tivemos ações de infraestrutura e promoção regional. No meio ambiente, destacaram-se projetos de recuperação de áreas degradadas e de gestão de resíduos. Porém, há três anos, esse processo foi interrompido. Não surgiram novos projetos metropolitanos e a articulação entre os municípios e o Governo do Estado perdeu sintonia. A falta de alinhamento entre as esferas de governo compromete o planejamento regional. Vale ressaltar: não cabe à Agem administrar obras, mas sim elaborar os projetos que promovam o desenvolvimento metropolitano, captar recursos e garantir o alinhamento entre as políticas estaduais e as demandas locais. A agência tem papel estratégico na articulação técnica e política da região. Essa ausência de ação estruturada torna-se ainda mais preocupante diante de dois grandes investimentos que impactarão diretamente a região: o túnel Santos-Guarujá e a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes. Obras que exigem planejamento regional para minimizar impactos e potencializar benefícios em áreas como mobilidade, uso do solo, meio ambiente e desenvolvimento econômico. O turismo deve ser tratado como eixo prioritário nessa nova fase. Com melhorias na infraestrutura de acesso, a Baixada tem condições de ampliar seu fluxo de visitantes, gerar emprego e fortalecer a economia regional. Mas isso só será possível com planejamento integrado e investimentos coordenados. A Baixada Santista precisa urgentemente de uma nova agenda metropolitana, com visão de médio e longo prazo. Após 29 anos, o desenvolvimento regional não pode continuar refém da falta de planejamento e articulação. É hora de retomar o protagonismo e garantir que os novos investimentos gerem benefícios reais para toda a população. *Milton Gonçalves da Luz. Ex-diretor executivo da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem)