<p data-end="309" data-start="126">Foi positivo o sinal político emitido pelo Senado com a derrota histórica do governo e do seu indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias.</p> <p data-end="579" data-start="311">Ele aconteceu no princípio do calendário eleitoral de 2026 e, mais do que a queda de braços na atual desarmonia entre os três poderes, pode ser lido como uma cobrança do parlamento para também poder submeter nomes à composição da mais alta corte do judiciário no país.</p> <p data-end="966" data-start="581">Mas essa é uma avaliação do ponto de vista da relação Executivo-Legislativo, que em ano eleitoral sempre fica mais sensível. No entanto, não podemos esquecer que o STF vive momentos delicados, com ministros desgastados pelo escândalo do Banco Master, resistindo às propostas de um código de conduta para os seus integrantes e de uma reforma do próprio judiciário feitas por seus pares.</p> <p data-end="1232" data-start="968">O certo é que há meses o STF funciona com um ministro a menos e que o presidente da República não terá forças para apresentar uma nova nomeação, porque é voz corrente em Brasília que o Senado só deve votar um novo indicado após o resultado das eleições de outubro.</p> <p data-end="1568" data-start="1234">O nome de Messias acompanhava o perfil dos dois ministros anteriores escolhidos por Lula em seu terceiro mandato - Cristiano Zanin, que foi seu advogado nos processos da Operação Lava Jato, e Flávio Dino, seu ministro da Justiça. Opções nitidamente pessoais e que compõe estratégica de manutenção no poder do atual presidente e do PT.</p> <p data-end="1931" data-start="1570">Não houve preocupação deles com a representatividade racial e de gênero, tão cobrada pela militância dos movimentos sociais em outros estados. Vale dizer que essa derrota não significa que o Congresso rejeite nomes da política, pois nos seus corredores era comum ouvir a preferência pelo senador Rodrigo Pacheco, supostamente alguém de confiança do Legislativo.</p> <p data-end="2290" data-start="1933">Todos reconhecem que o STF teve papel determinante na reação aos ataques do 8 de Janeiro contra a gestão petista, quando bolsonaristas radicais invadiram e depredaram dependências nas sedes dos Três Poderes. Papel esse que culminou na condenação de centenas de manifestantes e altas autoridades do governo anterior, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.</p> <p data-end="2603" data-start="2292">Infelizmente, as lições são percebidas por autoridades apenas quando há um choque ou quebra da rotina natural das coisas da política. Essa rotina, aliás, tem sido a razão do afastamento da maioria das pessoas dos seus temas e dos elevados índices de rejeição nos crescentes levantamentos e pesquisas de opinião.</p> <p data-end="2683" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2605">*Raul Christiano. Jornalista, escritor e membro da Academia Santista de Letras</p>