(Divulgação) Atualmente, convivemos com muitas desgraças, quer seja no Brasil ou no resto do planeta. Guerras buscando interesses econômicos, o Oriente Médio tornando-se um barril de pólvora, explodindo a todo momento, e milhares de mortes, desabrigados, hospitais em precárias situações e prédios bombardeados pelo poderio bélico. Sabemos que a paz está bem distante de acontecer. Não só a guerra mata e mutila, a ação desenfreada do homem também destrói nossas reservas florestais, em busca de minérios, pedras preciosas e madeiras, deixando marcas profundas em nosso ecossistema, trazendo com isso mudanças climáticas, alterando o clima com temperaturas acima do normal, chuvas e alagamentos jamais presenciados nos últimos tempos, além das queimadas, prejuízos na agricultura e plantações, sem contar as mortes de animais e pássaros. Em contradição a esse estado de calamidade mundial, tenho observado na minha casa, no meu jardim. Temos um pequeno comedouro e as despesas diárias são uma dúzia de bananas, para satisfazer um bando de sanhaços, maritacas, bem-te-vis, sabiás, saíras, que comem o dia todo. E nós ficamos de tocaia, espantando os gatos, predadores dos pássaros. As cambacicas são mais ousadas, comem as jabuticabas em um vaso próximo, sem contar que já fizeram ninhos em nosso terraço, fazendo sempre a sua pernoite, e ao anoitecer retiramos os restos das bananas. É o turno dos morcegos, que infelizmente ficam sem refeições, observamos que todos se alimentam, uns aguardam sua vez no pé de araçá ou do manacá, as maritacas aguardam no ipê amarelo da calçada. Às vezes eles brigam, porém não há mortes como os humanos, eles comem e levam comidas para os filhotes. Outro detalhe preocupante: temos observado um ninho de gavião na torre da subestação da Avenida Monteiro Lobato, em São Vicente, e já pousaram em nosso telhado, um predador eficaz de pássaros menores, para a sua sobrevivência. É a lei da selva. Ao tomar o café da manhã, abrindo a porta lateral da cozinha, encontramos vários pardais aguardando a comida matinal, jogamos miolo de pão e logo um bando de pardais disputam um pedaço cada um. Observo que não brigam, tendo comida para todos, isso acontece durante o dia todo, haja miolo de pão, uns mais ousados, pousam na beirada do fogão. Nesse paralelo de homens e aves, observamos que a natureza foi justa com todos, porém o ser humano, na sua ganância, foi mais além e as consequências estamos pagando um preço muito alto, enquanto as aves com seus cantos e cores amenizam e nos encantam nesses momentos tristes que estamos vendo o sofrimento dos nossos semelhantes. *Mario Azevedo Alexandre. Escritor, jornalista, membro da Academia Santista de Letras, Academia Vicentina de Letras, Artes e Ofícios e IHGSV