[[legacy_image_345994]] O mês de março é marcado pelo Dia Internacional das Mulheres, uma data que impulsionou várias homenagens e, principalmente, debates sobre a condição feminina no passado e no presente. Esta data simboliza a luta histórica das mulheres pela garantia dos seus direitos. Por outro lado, discutir a realidade das mulheres deve ir além de um marco, é um assunto a ser pautado todos os dias, pois as desigualdades de gênero na contemporaneidade ainda estão presentes na nossa sociedade. Aumentar a participação das mulheres no mercado de trabalho com igualdade salarial e em cargos de liderança, combater quaisquer formas de violência e garantir o cumprimento dos direitos conquistados por esse grupo compõem alguns dos desafios das mulheres na atualidade. Possibilitar o acesso à informação e à troca de conhecimento contribui para a garantia dos direitos das mulheres e na busca por um futuro mais digno, inclusive promovendo a ressignificação de muitas histórias de vida, como as compartilhadas no penúltimo sábado do mês das mulheres. No dia 23, o Sindicato dos Empregados em Edifícios de Santos (Sindedif) propiciou um evento com as mulheres da categoria, o Mulheres em Foco. Mais do que palestras com advogada, psicóloga e assistente social, foi um momento de reflexão sobre os diversos papéis representados por uma a uma das presentes. Muita conversa acerca de assuntos diversos, como conquistas femininas, educação, saúde mental, previdência, trabalho, violência, família, o exercício da maternidade com a ausência do pai, entre outros, preencheu a manhã do último sábado, se estendendo à tarde em conversas mais particulares com as profissionais convidadas. Numa dessas conversas fomos abordadas por uma mulher, associada do sindicato, faxineira aposentada. Após um início de conversa sobre trivialidades, dona Maria (nome fictício) contou sobre sua história de vida, os três filhos, o abandono do marido à época, o caçula com 1 ano. E que, embora o pai tenha cumprido o compromisso de pagar uma pensão generosa para cada um deles, durante todos os anos não demonstrou interesse em conviver com os filhos. Inclusive reside em outro estado e constituiu nova família, com mulher e filha. Dona Maria contou que, por receber uma boa pensão, achava que a criação havia sido proporcionada pelo ex-marido e, após ouvir as profissionais presentes sobre a concepção de várias formas de mãe solo, refletiu sobre a própria realidade. E concluiu, emocionada: “Hoje eu descobri que fui mãe solo”. O olhar atento de cada uma das presentes assim como a escuta de histórias ao mesmo tempo tão diversas e tão parecidas provocaram o encorajamento de todas. Mulheres inspirando outras mulheres a reconhecer que são poderosas, que não estão desamparadas e que são capazes de tudo o que quiserem. Por fim, acreditamos que são esses pequenos, mas potentes, encontros que nos aproximam da pluralidade do que é ser mulher hoje no nosso país. São essas trocas entre mulheres de diversos contextos que podem garantir a manutenção das lutas femininas. Nesse sentido, o acesso à informação é essencial para o equilíbrio nas relações de poder entre homens e mulheres, tornando-as mais justas.