Foto ilustrativa (Reprodução/Alesp) Em 6 de agosto de 1945, Hiroshima tornou-se a primeira cidade da história a ser atingida por uma bomba atômica em combate. Três dias depois, em 9 de agosto, foi a vez de Nagasaki. Em segundos, dezenas de milhares de pessoas morreram instantaneamente. Nos meses seguintes, queimaduras, radiação, infecções e a destruição da infraestrutura médica elevaram drasticamente o número de vítimas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Estima-se que, até o fim de 1945, cerca de 140 mil pessoas tenham morrido em Hiroshima e 70 mil em Nagasaki. Ao longo das décadas, os efeitos tardios da radiação, especialmente leucemias, diversos tipos de câncer e outras doenças, elevaram esse total para aproximadamente 340 mil vítimas, segundo estimativas baseadas nos registros dos sobreviventes e estudos epidemiológicos. Os sobreviventes, conhecidos como hibakusha, carregaram sequelas físicas e psicológicas por toda a vida. Além das doenças relacionadas à exposição à radiação, muitos enfrentaram discriminação social, perda de familiares, traumas permanentes e gerações marcadas pelo medo dos efeitos genéticos da contaminação. Até hoje, historiadores divergem sobre a necessidade militar dos bombardeios. Seus defensores argumentam que eles aceleraram a rendição do Japão e evitaram uma invasão terrestre que poderia custar milhões de vidas. Já seus críticos sustentam que o Japão estava próximo da derrota e que o emprego de armas de destruição em massa contra cidades densamente povoadas constituiu uma violação dos princípios humanitários, ao atingir deliberadamente a população civil. Fico com os críticos. Outro aspecto frequentemente lembrado é que as bombas utilizavam tecnologias distintas. A bomba lançada sobre Hiroshima, conhecida como Little Boy, empregava urânio-235 altamente enriquecido. Já a de Nagasaki, Fat Man, utilizava plutônio-239, com um mecanismo de implosão muito mais sofisticado. Essa diferença alimenta, há décadas, uma hipótese levantada por alguns pesquisadores e comentaristas: a de que os dois ataques também teriam servido para avaliar, em condições reais de guerra, o desempenho de dois projetos nucleares diferentes. Entretanto, não há consenso histórico nem documentação conclusiva que comprove essa finalidade como objetivo oficial da operação. Na ausência dessa comprovação, a hipótese permanece em aberto. Independentemente desse debate, Hiroshima e Nagasaki permanecem como um marco da capacidade humana de destruir populações inteiras em poucos instantes. Mais do que símbolos do fim da Segunda Guerra Mundial, tornaram-se um alerta permanente sobre o custo humano da guerra e sobre os limites éticos da tecnologia quando colocada a serviço da destruição. Marcus Aurelio de Carvalho. Advogado e portuário aposentado.