Para quem tem interesse em geopolítica, sugiro não começar os estudos pelo Oriente Médio. Naquela região do mundo, nada é de fácil compreensão. O Irã, com população de origem persa, era um sólido aliado de Israel (não, isso não é título de capítulo de algum livro de ficção, mas sim história real). Havia profunda colaboração militar entre ambos os países, inclusive com compartilhamento de informações coletadas por setores de inteligência. Judeus e persas buscavam espaço numa região dominada por árabes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em 1979, com a revolução islâmica no Irã, tudo mudou. Israel se tornou o inimigo público número um da república teocrática islâmica, a qual passou a pregar a destruição do Estado judeu. Nas últimas décadas, Israel tem buscado isolar o Irã, na medida em que se empenha em estreitar laços com os países árabes da região. Para evitar de travar guerra diretamente contra Israel (que, aliás, possui arsenal nuclear), a República Islâmica se utiliza de uma rede informal denominada Eixo de Resistência, formada por organizações classificadas como terroristas, como o Hezbollah, baseado no sul do Líbano; o Hamas, na Faixa de Gaza; e os Houthis, no Iêmen. Com dinheiro e armamento fornecidos pelo Irã, esses grupos têm promovido guerras intermitentes contra Israel. Esse é o “resumo da síntese da sinopse” das coisas por lá. E onde entra nosso amado País, Pindorama, nessa história? Creio que podemos aprender com a desgraça, ops, com o exemplo alheio. Quem dá as cartas no sul do Líbano não é o governo libanês, é o Hezbollah, que controla o território, dita regras e possui até um banco – o Al-Qard Al-Hasan – para lavar dinheiro do terrorismo. Israel tem, sistematicamente, bombardeado o sul do Líbano, a fim de, ao menos, enfraquecer o Hezbollah. É inegável que a população libanesa sofre muito com esse conflito, enquanto o Estado libanês se comporta como mero espectador. Aqui, facções criminosas (e não ligo a mínima se devem ou não ser classificadas como terroristas) agem como o Hezbollah, controlam territórios, impõem normas de conduta e, recentemente, têm se inserido no sistema financeiro pindoramense. Se nada for feito – e com urgência –, chegará o dia em que a República de Pindorama se comportará como o impotente Líbano. E, se facções definitivamente superarem o poder estatal, teremos que aceitar a ideia – nada distópica – de que, algum dia, ianques possam bombardear nosso quintal.