[[legacy_image_308096]] Com novos casos aparecendo no Brasil, é importante falarmos sobre a gripe aviária. Doença conhecida há muito tempo, ela foi diagnosticada pela primeira vez na Itália, em 1878, como praga aviária. Em 1955, o vírus foi isolado e identificado com Influenza A aviário. A ocorrência da gripe aviária em humanos, causada pelo vírus H5N1, só foi relatada pela primeira vez em 1997, em Hong Kong, e se repetiu na Ásia e na Europa nos anos seguintes. A doença não é comum em humanos, apenas quando existe contato próximo entre uma ave doente e uma pessoa, tanto que até hoje tivemos aproximadamente mil casos no mundo, com mortalidade alta, próxima a 50%. Já a contaminação a partir do ser humano infectado por uma ave para outra pessoa é extremamente rara. As aves domésticas, como galinhas e perus, não são consideradas reservatórios do vírus Influenza, mas são sensíveis a infecções por vírus transmitidos por aves silvestres. Porém, as aves que se recuperam da fase aguda da doença podem ficar eliminando o vírus por semanas ou meses após o final dos sintomas clínicos. Alguns mamíferos marinhos, como lobos e leões-marinhos, focas e baleias, podem ser afetados pelo vírus esporadicamente. Pesquisas de 2022 detectaram o vírus da gripe aviária em ursos pretos, leopardos, tigres suínos e cães. O ciclo natural do vírus tem início com a transmissão entre as aves silvestres e destas para as aves domésticas. Pode, raramente, ocorrer transmissão de aves para suínos e de suínos para humanos e vice-versa. Os principais sintomas da doença são espirros, perda de peso, anemia, tosse, secreções nasais, emagrecimento e alterações no sistema nervoso. O médico-veterinário especialista em aves e em doenças infectocontagiosas deve ser contatado para exames. Não existem vacinas licenciadas no Brasil. Países que notificam surtos de gripe aviária enfrentam barreias sanitárias que limitam a comercialização nos mercados interno e internacional, com grandes prejuízos para a avicultura. No Brasil, como os registros feitos até este momento foram em aves silvestres, pelas regras internacionais, ainda fica mantido o status de nação livre de gripe aviária. Dessa forma, a avicultura nacional mantém sua grande atuação no mercado global, com médias elevadas na exportação. A sanidade dos plantéis brasileiros tem sido um forte argumento para competitividade no exterior. No entanto, a detecção de um foco de gripe aviária em plantéis comerciais brasileiros teria um grande peso, considerando que o país é o segundo maior produtor e exportador mundial de frango. Medidas preventivas devem ser tomadas para evitar graves problemas, como o confinamento de aves que são criadas de maneira livre, evitando o contado com aves silvestres, além de galpões telados e inspecionados diariamente e monitoramento constante do comportamento das aves, com afastamento rápido daquelas que apresentarem qualquer sintoma.