(Reprodução) Fiquei triste e muito surpresa com a informação revelando que os brasileiros estão desistindo de cursar o Ensino Superior para gastar com apostas on-line. A educação deve ser sempre a prioridade na vida dos jovens, pois é a boa formação que abre as portas e qualifica para o tão difícil mundo do trabalho. Sabemos que as questões financeiras são os principais fatores que levam muitos estudantes a abandonar a graduação, como apontou a segunda edição da pesquisa realizada pela Workalove em parceria com o Instituto Semesp. Como podemos falar em um projeto de desenvolvimento social e econômico para o Brasil sem considerar esse grande gargalo da desigualdade social? O acesso à educação superior não beneficia apenas o indivíduo, com ascensão profissional e um ganho maior de renda, mas representa um investimento em capital humano capaz de assegurar retorno também para o país em termos sociais e econômicos. E uma aposta virtual, o que representa? Esses dados são muito preocupantes, porque o Ensino Superior brasileiro ainda tem uma das taxas de escolarização líquida mais baixas do mundo, que, ao invés de evoluir, vem regredindo. Nós, do Semesp e das Instituições de Ensino Superior, lutamos por políticas públicas capazes de impedir que tenha continuidade a drástica redução da quantidade de jovens brasileiros com acesso à universidade na faixa etária adequada. A educação continuada, a gestão e a capacitação docente, acadêmica e administrativa são propostas constantes dos gestores educacionais. A geração Z, os nascidos entre 1995 e 2010, têm como prioridades o bem-estar, a flexibilidade e a diversidade, e as universidades estão se adaptando a essa realidade. Um projeto de país voltado para o desenvolvimento social e econômico só pode evoluir se valorizar e oferecer educação de qualidade. É essencial tentar entender para mudar o perfil dos jovens e adultos que interromperam os estudos sem se preocuparem com a evolução profissional. A falta de poder econômico dos mais jovens não pode ser agravada por apostas on-line. Eles devem, sim, ser orientados desde cedo nas escolas para apostar em um futuro melhor. Nosso país tem um dos mais baixos acessos ao Ensino Superior, que não forma o que deveria no Ensino Médio. Temos que melhorar esse acesso e continuar o trabalho por políticas públicas, programas de financiamento e bolsas. O Semesp tem uma excelente proposta de modelo de financiamento, que temos apresentado nos congressos e ao Governo. Vamos continuar trabalhando por isso, também ampliando o Fies, com financiamentos não só para graduação, mas também para a pós-graduação, além de reabrir o ProFies e outras linhas de crédito. Os estudantes hoje vêm para a escola com outro ritmo mental, e a escola não pode ignorar isso. Ela precisa criar elementos para que reflitam sobre toda essa informação, com a qual lidam de forma impaciente e superficial. Em tempos de uso das novas Tecnologias da Informação em Educação (TICs), é preciso incentivar os alunos a deixarem de ser meros receptores de informações e passarem a ser protagonistas do conhecimento. Pensar o futuro é pensar a educação. A educação sempre terá grandes desafios pela frente, e o maior deles é o acesso ao ensino superior de qualidade. Vamos continuar com permanente interlocução com os gestores públicos e com os representantes dos diversos segmentos da sociedade, transmitindo os posicionamentos do setor em relação às principais questões da educação na atualidade, fundamentados na liderança, no conhecimento e na elevada capacidade da estrutura técnica especializada da entidade, além de sua presença regional, nacional e internacional. A educação superior deve abandonar alguns de seus pressupostos, preservando, no entanto, os valores educacionais fundamentais, segundo os quais cada aluno merece atenção e incentivo. Só assim, o ensino acadêmico pode capacitar o estudante integralmente, e não apenas fornecer competências de curto prazo. Com espaços de aprendizagem modernos, laboratórios, ambientes para aulas práticas e melhores ferramentas tecnológicas, as instituições de ensino, em todos os níveis, precisam estar atentas para os riscos que as aventuras virtuais representam para nossos jovens, oferecendo caminhos que levem à graduação e a uma vida melhor, tanto para eles quanto para a sociedade. * Lúcia Teixeira, presidente do Semesp e da Unisanta