[[legacy_image_263734]] A prevenção é, sem dúvida, uma das mais importantes políticas públicas. Segundo a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jipe), sediada em Viena, na Áustria, “cada US\$ 1 investido em prevenção pode economizar até US\$ 10 em tratamento”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No Brasil, entretanto, bastaram poucos instantes do atual Governo Federal no poder para, frustrados, constatarmos a publicação no Diário Oficial da União: “A partir de 1º de janeiro de 2023, a Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas (Senapred) deixa de existir”, interrompendo assim, abruptamente, a execução do Plano Nacional de Prevenção às Drogas, incluso à Senapred, Ministério da Cidadania, Secretaria Nacional criada em 2019, pela primeira vez com orçamento próprio, preenchendo a lacuna de décadas e desenvolvendo estratégias precoces, a partir da eficácia de intervir antes na busca de impedir a ocorrência, com resultados melhores e mais econômicos a nossa sociedade. Infelizmente, na contramão do que tem dado certo em localidades no mundo, todo o trabalho sério e árduo foi drasticamente interrompido por desastrosa canetada, restando a perspectiva de triste repercussão negativa por décadas à frente. O debate referente ao tema é complexo. Prossegue se limitando à polarização entre legalização ou liberação, abstinência ou redução de danos, internação voluntária ou compulsória, preterindo a prevenção com evidência científica, desatenção e insensibilidade, que somadas a outros fatores, colocaram o Brasil entre os principais mercados de consumo de substâncias psicoativas a partir do ano 2000. Há muito a se fazer, de maneira urgente, para aumentar fatores de proteção e diminuir os de risco, a interromper a crescente situação de sofrimento da juventude e, por extensão, das famílias. A Islândia, cuja caminhada de modelo eficaz o Brasil começava a trilhar, soube controlar a vulnerabilidade dos adolescentes às drogas. Lamentável, entretanto, é que a prepotência inconsequente e retrógrada tenha assumido o lugar da escuta atenta, humilde e realizadora, posturas sensatas que conduziriam nosso país a dias mais alentadores. Muito triste!