[[legacy_image_274317]] Governar um país não é fácil. Requer estratégia, visão e uma enorme vontade de construir um legado que perpasse as gerações do tempo. Afinal, ser eleito, até que muitos são para funções importantes. Porém, poucos são os que escrevem seu nome na história por aquilo que fizeram ou deixaram como legado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O tempo, ao mesmo tempo que apaga os irrelevantes, também exalta aqueles que realizaram atos e obras que ultrapassaram sua existência. Grandes filósofos da história, como Sócrates, por exemplo, nem uma obra escrita deixou. No entanto, seus ensinamentos ecoam pela história. Na religião cristã, o seu pilar fundamental - Jesus Cristo - tampouco deixou escritos. O que se sabe foi resultado daquilo que alguns presenciaram e carregaram adiante como ensinamentos. Do panteão de presidentes da república que ocuparam o posto mais alto da nação, poucos são aqueles que resistem ao tempo da história. Em grandeza, nenhum se assemelhou à liderança hábil e capaz, dedicada e leal à pátria como foi com Dom Pedro II. De fato, o legado deixado pela maioria pouco orgulho gera para os brasileiros. Os presidentes brasileiros jamais ascenderam à condição de um Roosevelt, Eisenhauer ou Reagan. O presidente do momento pode até achar que sua grandiosidade resistirá ao teste do tempo. Porém, encerrado o ciclo, o legado é consumido por aquilo que deixou de executar e pelos erros que condenam o País a uma constante situação de atraso. Ao olharmos para o potencial do Brasil - um vasto território, com recursos naturais abundantes e uma população relativamente grande - vemos que, apesar do desafio histórico resultante do câncer da escravidão - cujos descendentes correspondem a mais de 2/3 da população -o Brasil fica aquém de suas possibilidades e capacidades. Boas lideranças podem mudar o rumo de uma nação. Basta que haja estratégia e planejamento. Infelizmente, ao Brasil tem faltado estas duas coisas. A forma errática como o governo Bolsonaro, por exemplo, tratou da pandemia da covid-19 e o clima de confronto constante pouco contribuíram para que o Brasil avançasse substancialmente em sua agenda e economia. E a política externa do atual governo - audaciosa sem envergadura, complacente com o erro e apequenada pela agenda doméstica - tem refletido os equívocos de uma administração que se isenta da responsabilidade das ações e - principalmente - cria narrativas que, repetidas inúmeras vezes, buscam transformar em mantra. Ainda há tempo para alterar o rumo e ter resultados efetivos: abandonar a pirotecnia de mediador da paz num conflito do qual não se tem a dimensão histórica e geopolítica, e a já repetida e desgastada história do assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas já seriam um bom começo. Os resultados dessas ações já nos são conhecidas. Que tal tratar de coisas substanciais como acordos de livre comércio com China e Reino Unido? Cooperação internacional na questão da inteligência artificial? Os desafios da guerra cibernética? Ou a preservação da biodiversidade com promoção ao desenvolvimento? Ou ainda a criação de uma nova ordem mundial que reflita a ascensão de novas potências globais? Pautas para deixar um legado histórico não faltam com assuntos de relevância real e efetiva. O que falta é liderança.