(Unsplash) O assunto não é novo, mas merece ser retomado. Dados do Fórum Nacional de Segurança Pública mostram que, entre 2018 e 2024, as fraudes digitais aumentaram mais de 400%, causando perdas financeiras anuais da ordem de R\$ 10 bilhões. Mais da metade dos brasileiros (51%) foram vítimas de golpes, número espantoso, e pessoas entre 30 e 59 anos, com maior grau de escolaridade e renda, estão entre os alvos mais frequentes. O problema atinge proporções alarmantes. Afeta todas as pessoas – pobres, ricos, gente de todo tipo de escolaridade – e o dado acima revela que mesmo as mais informadas caem sistematicamente nos golpes. Urge, portanto, reação de todos: sociedade, governos, empresas, sistema bancário, empresas de telefonia. Recebo sistematicamente ligações fraudulentas. São várias, todos os dias. Os golpistas anunciam transações suspeitas, dizendo-se dos sistemas de segurança dos bancos; há ofertas (falsas) de crédito consignado do INSS; outros referem-se a cartões de crédito clonados ou com lançamentos indevidos. Bloqueio e denuncio todas as ligações, mas é inútil. A capacidade de regeneração dos celulares utilizados parece infinita, e a maioria provém do meu DDD e do prefixo da minha linha, embora eu tenha recebido nos últimos dias chamadas de outros estados e até do Chile. A escala dos crimes digitais é gigantesca. Como a maioria das transações financeiras no País (mais de 90%) é feita por canais digitais, sendo 75% por celulares, a possibilidade de ataques se multiplica. No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 314,8 bilhões de atividades maliciosas em meios digitais (tentativas de fraudes), o equivalente a 84% de todos os ataques na América Latina. E nesse mesmo período houve 174 mil ocorrências, envolvendo a criação de páginas falsas e a divulgação de promoções inexistentes, distribuídas por e-mails, SMS e aplicativos de mensagem. A omissão é generalizada. Falta legislação adequada e, principalmente, controle e fiscalização. As big techs nada fazem, aceitando todo tipo de propaganda em suas plataformas; as empresas de telefonia não controlam a titularidade das linhas, já que milhares delas são utilizadas todos os dias para golpes – bloqueia-se uma, logo vem outra. Não há estrutura de investigação policial adequada para rastrear a origem dos crimes e seu combate. E o Poder Judiciário não garante às vítimas ressarcimentos pelos golpes: eu fui vítima de um, no ano passado, extremamente bem urdido e articulado. De nada adiantou correr à minha agência bancária minutos após o golpe; o dinheiro já havia desaparecido. O recurso ao Juizado Especial Cível, o famoso tribunal das pequenas causas, foi inútil e frustrado. É urgente reação articulada e consciente de todos. Todos os dias milhares de pessoas são vítimas, e isso precisa ser evitado e combatido. Difícil, mas não impossível. *Alcindo Gonçalves. Engenheiro, cientista político, professor da Universidade Católica de Santos e responsável pela metodologia e RI do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT)