Foto ilustrativa (Analice Paron / Agência O Globo) Durante a temporada de verão no Brasil (com ápice no Carnaval), o consumo dos brasileiros, especialmente entre os mais abastados, aumenta consideravelmente, sendo motivo de comemoração para os setores produtivos, comércio e serviços. Mas, com o aumento das vendas de bens e serviços ocorre, concomitantemente, há uma expressiva elevação na produção de resíduos sólidos urbanos (RSU) - popularmente denominado de lixo - por parte da população, fixa e flutuante, primordialmente nas cidades mais buscadas pelos turistas, nacionais e estrangeiros. E o Carnaval, como todo grande evento, gera vultosos volumes de resíduos, num espaço temporal exíguo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De todo RSU gerado, 25% derivam do aumento populacional e 75% se devem à elevação no poder aquisitivo da população. Então, quanto mais esta enriquece, mais ela irá produzir resíduos. E tem sido assim, desde os primórdios da civilização, até hodiernamente. Somente em 2025, de acordo com o Panorama da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o Brasil gerou mais 80 milhões de toneladas de RSU. Em âmbito global, segundo a ONU, o volume ultrapassou os 2,3 bilhões de toneladas/ano, montante que deverá dobrar até 2050. Mas, o ponto nevrálgico, e que boa parcela da população brasileira desconhece, é que há uma correlação direta entre a produção de resíduos, e a geração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera terrestre, primordialmente o CO2, em gigantescas quantidades, o principal causador do aquecimento global. Vivemos uma época dominada pela economia linear (extração, produção, utilização e descarte) dos bens criados, gerando impactos ambientais de monta, com grande desperdício, e uso intensivo dos recursos naturais disponíveis (muitos deles não renováveis), primordialmente de água (em tempos de gravíssima crise hídrica mundial) e energia, em enorme escala. Além, é claro, da geração de GEE em imensas quantidades e custos elevadíssimos para se lidar com os resíduos produzidos, que acabarão por ser quitados pelo conjunto da população. Em oposição a essa, temos a economia circular, onde os produtos fabricados retornam à cadeia produtiva, numa antípoda a economia linear. Ademais, existe uma enorme diferença entre consumo e consumismo. Consumo é o que necessitamos diariamente para nossas necessidades básicas. Já consumismo (não confundir com socialismo) é adquirir produtos que não são primordiais para nossa sobrevivência. Diante do exposto, precisamos abandonar, urgentemente, a lógica do “consumo, logo existo” e repensar nossas ações, optando por um consumo consciente de bens e serviços, sem esquecer que nossas escolhas influenciarão diretamente o clima da Terra e o futuro da humanidade.