(Pixabay) No fim de ano, e durante a estação do verão (particularmente até o Carnaval), o consumo dos brasileiros, especialmente os mais abastados, aumenta consideravelmente, sendo motivo de comemoração para os setores produtivos, comércio e serviços. Mas, juntamente com o aumento das vendas de bens e serviços ocorre, concomitantemente, elevação vultosa na produção de resíduos sólidos urbanos (RSU) - popularmente conhecido como lixo -, por parte das populações, fixa e flutuante, principalmente nas cidades mais procuradas pelos turistas, nativos e estrangeiros. O Brasil gerou em 2023, cerca de 80 milhões de toneladas de RSU, de acordo com o Panorama da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), sendo o quarto maior produtor mundial. Em âmbito global, o volume ultrapassou os 2 bilhões de toneladas/ano. Na Região Metropolitana da Baixada Santista, são gerados diariamente 2.000 toneladas. E a geração de resíduos (lixo), segue aumentando, ano após ano. De tudo o que é gerado de RSU, 25% derivam do aumento populacional, mas 75% são devido à elevação no poder aquisitivo da população. Então, quanto mais esta enriquece, mais ela irá produzir resíduos. É assim, desde os primeiros aglomerados urbanos na Antiguidade até nossos dias. Mas, o ponto crucial, e que boa parcela da população brasileira desconhece, é que há uma correlação direta entre a produção de RSU (lixo), e a geração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera da Terra, primordialmente o CO2, em gigantescas quantidades, o principal causador do aquecimento global. E é esse fenômeno que ocasiona as mudanças climáticas, que por sua vez dão origem aos eventos climáticos extremos, que estamos presenciando em todo o mundo, inclusive no Brasil, como as chuvas diluvianas no Rio Grande do Sul; seca histórica na Amazônia; e as ondas de calor sufocantes ocorridas em 2024. Vivemos num tempo de predomínio da economia linear (onde se produz, utiliza, e se descarta os bens criados), gerando impactos ambientais de monta, com uso intensivo dos recursos naturais disponíveis (muitos deles não renováveis), água e energia em grande escala, além da geração de GEE em imensas quantidades, e custos elevadíssimos para se lidar com os resíduos produzidos, que terão de ser pagos, de forma direta ou indireta, pela conjunto da população. Em oposição a essa, temos a economia circular, onde os produtos fabricados retornam a cadeia produtiva, indo na direção diametralmente oposta a economia linear, gerando apenas benefícios. Há uma enorme diferença entre consumo e consumismo. Consumo é o que necessitamos diariamente para nossas necessidades básicas. Já consumismo é adquirir produtos que não são primordiais para nossa sobrevivência. Dito isso, precisamos abandonar a lógica do “consumo, logo existo”. Agora, em 2025, quando teremos a Conferência do Clima (COP30) em Belém (PA), devemos repensar nossas ações, optando por um consumo consciente de bens e serviços, sem esquecer que nossas escolhas influenciarão diretamente as mudanças climáticas em andamento na Terra. *Lufe Bittencourt. Geógrafo