(FreePik) Hoje, 29 de maio, celebramos no Brasil o Dia do Geógrafo, pois nessa data, em 1936, foi criado o Instituto Nacional de Estatística – INE. Apenas em 1938, sob o Estado Novo, o nome foi alterado, substituindo o termo Nacional por Brasileiro e incorporando o termo Geografia, assim, surgia o IBGE. Uma curiosidade é que, de acordo com o zodíaco, o geógrafo brasileiro é regido pelo signo de Gêmeos e isso mostra uma antiga característica da Geografia – a dualidade, seja nos campos de estudo – Geografia Física e Geografia Humana seja no exercício profissional, com os professores de Geografia e os geógrafos – que remonta à Mitologia Grega, com o Titã Atlas, condenado pelos deuses do Olimpo a sustentar os Céus em suas costas em um dos extremos do mundo. Atlas, apesar da pena, teria conseguido gerar duas categorias de filhas, as Hespérides e as Plêiades. As primeiras, ninfas do entardecer, guardavam um jardim, onde eram cultivados os pomos de ouro, e cuja aquisição fora um trabalho hercúleo, e assim, demonstram enorme ligação com os assuntos telúricos. Já as Plêiades, ninfas oceânides, estavam relacionadas à água, sejam mares, chuva, orvalho, granizo, neve, gelo e geada e ao ritmo da vida das pessoas. Assim, os profissionais da Geografia de hoje seriam netos de Atlas, que emprestou seu nome à coleção encadernada de mapas, e filhos das Hespérides, herdando das mães os vínculos com a Geografia Física, com os estudos mais intensos sobre Geologia, Meteorologia, Pedologia, Hidrografia, Oceanografia etc., ou das Plêiades com maior proximidade com os ciclos humanos regidos pela água, e assim, mais íntimos da Filosofia, Economia, Sociologia, Antropologia, Direito etc. Mas essa visão de uma Geografia dual está superada, especialmente com o advento dos meios digitais que revolucionaram o Sistema de Informação Geográfico, fazendo do Geógrafo um dos profissionais mais versáteis da atualidade. A capacidade de coordenação de estudos em várias escalas e a visão holística que o geógrafo dispõe o fazem essencial às instituições – públicas e privadas. Mais de dois terços das informações relevantes nos processos decisórios, pessoais ou profissionais, têm caracterização espacial e, com isso, seria esperável elevado uso de sistemas de informação geográfica pelas instituições, embasando a tomada de decisões importantes. Usualmente, isso não ocorre. A Região Metropolitana da Baixada Santista é especialmente sensível sob dois primas, o da Economia e o dos efeitos, potencialmente catastróficos, que os eventos climáticos extremos podem causar, e, apesar disso, apenas três municípios – Santos, São Vicente e Itanhaém, contam com geógrafos em seus quadros permanentes de servidores públicos. Se desejamos evitar decadência econômica, mitigar desastres ambientais, evitar mortes, precisamos, mais do que nunca, dar as condições para as pesquisas e trabalhos, ouvindo e aplicando as soluções propostas pelos geógrafos e suas equipes multidisciplinares. *Luiz Paulo Neves Nunes. Professor e geógrafo