[[legacy_image_309740]] A saudosa jornalista Lydia Federici (1919-1994) publicou no Jornal A Tribuna 13 crônicas na sua coluna quinzenal, entre 9 de setembro de 1991 e 30 de julho de 1993, com o título acima, incentivando os trabalhos de restauração da Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, em Guarujá. As crônicas se tornaram registros informais dos encontros regulares da Comissão Pró-Fortaleza, que ocorriam na Reitoria da Universidade Católica de Santos (UniSantos). Aquele período de três anos, no início da última década do século 20, foi exuberante para a Barra Grande de Santo Amaro. A UniSantos capitaneou uma intensa campanha de conscientização cívica, mobilizada contra uma “amnésia histórica” perversa e vergonhosa para todos nós. Em ofício do Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural (IBPC), hoje Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 13 de janeiro de 1993, foi solicitado o apoio formal da UniSantos para o acompanhamento das obras de restauração a serem realizadas. A resposta foi rápida, por meio de outro ofício, de 26 de abril de 1993, que nomeou uma comissão de trabalho pró-Fortaleza. Cinco meses depois, em 2 de setembro de 1993, com as obras já em andamento, foi realizado um ato solene de assinatura de um protocolo de intenções entre o IBPC, a Prefeitura de Guarujá e a UniSantos, visando acompanhar o projeto de restauração daquela magnífica obra de arquitetura militar colonial e planejar novos usos nas áreas da cultura e do turismo regional. O jornal A Tribuna, em página inteira, publicou uma reportagem com o título “Fortaleza da Barra recupera sua dignidade e beleza”. Quatro anos depois, em 21 de abril de 1997 as obras estavam concluídas. Tive a honra de ser um dos padrinhos e fui homenageado pelo “entusiasmo e dedicação do trabalho desenvolvido”, como destacou o Iphan à época. O projeto de restauração foi idealizado e realizado pelo arquiteto do instituto, Victor Hugo Mori, e teve a participação do também arquiteto Lúcio Costa – um dos idealizadores de Brasília – na cobertura das ruínas com um amplo “guarda-chuva” de aço, apoiado apenas nas quatro pontas do pavilhão principal. Lydia Federici infelizmente encerrou suas publicações em julho de 1993, antes da assinatura do protocolo de intenções, por já estar com a saúde debilitada, mas nos deixou, na sua última crônica, um pedido a seus leitores, destacando “o reaparecimento do telhadinho (início das obras na Capela de Santo Amaro), simbolizando a força interior do santista de ontem e de hoje”. E finaliza assim: “Pois é isso. Então, ao menos em imaginação, ajude, amigo, com maior ou menor força que você tem, a segurar as paredes da antiga Fortaleza da Barra. Tá?” Com este pequeno relato histórico, faço um alerta para que não percamos esse embalo que levou a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande a ter uma “sobrevida” semelhante à da ave Fênix, da mitologia grega: das ruínas ao renascimento, em busca de um reconhecimento universal. E, você, que nos honra lendo esta manifestação pública, pode ajudar, mesmo que somente focado no último apelo jornalista, “tá?”.