(FreePik) O setor de bares e restaurantes está prestes a sofrer a maior derrocada fiscal de toda a sua história. Isto porque, no fim deste ano, expira o Decreto Estadual 67.524/23, que prevê regime especial para o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado de São Paulo. Logo, será imposta a alíquota de 12% sobre o valor agregado do segmento, o que equivale à carga final de ICMS em torno de 9,5% sobre o faturamento bruto. Um aterrorizante aumento de carga tributária de 197% de ICMS sobre refeições é o presente que os técnicos da administração pública bandeirante estão pretendendo impor, a partir de 1º de janeiro de 2025, ao setor, a seus trabalhadores e consumidores. O regime especial em tela, que ora se pretende revogar, foi instituído na gestão do então governador Luiz Antônio Fleury Filho, em 1993. Todos os governadores que se seguiram promoveram a prorrogação deste regime, em vigência até hoje. Para justificar o voraz aumento, fontes da Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento informaram que o fim do benefício especial afetará somente as empresas que operam no regime presumido ou lucro real, ou seja, aquelas que faturam acima de R\$ 4,8 milhões por ano. Os estabelecimentos enquadrados no Simples Nacional, que, segundo a pasta estadual, representam 80% do universo de bares e restaurantes, estarão preservados e, assim, nada sofrerão com a medida. Ledo engano! Trata-se, na realidade, de um grande tiro no pé, posto que quem recolhe impostos, efetivamente, são as empresas que serão afetadas por esta ganância fiscal. Levada tal medida a efeito, haverá enorme abismo entre as enquadradas no Simples Nacional e as demais, o que se constituirá em trava tributária ao crescimento das pequenas e encolhimento, via redução da folha de pagamento – ou o fechamento de estabelecimentos - das demais, tudo na tentativa de fugir da derrama de impostos. Para 2024, a previsão é de um crescimento real de 3%, o que elevará a receita global do setor para R\$ 80,3 bilhões, já corrigidos pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Enfim, espera-se que o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) determine a prorrogação do regime especial e promova, assim, justiça social e crescimento econômico verdadeiramente sustentável. Não se trata, tão somente, de um jogo de números. Estão em risco a manutenção de empresas, com suas histórias; bem como a geração de empregos no segmento que, seguramente, mais emprega no Estado e; por fim, mas não menos importante, o bolso do consumidor, do cidadão. *Sylvio Lazzarini. Diretor de Relações Institucionais da Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo (Fhoresp); Clóvis Panzarini. Economista