Se a seca está piorando, o que podemos esperar para os próximos anos em termos de devastação ambiental e seus impactos nas áreas urbanas? (Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo) O problema das queimadas não é novo. Já faz décadas que o Brasil e outros países amazônicos enfrentam o fogo que consome suas florestas. Mas, o que está acontecendo de diferente agora? A resposta está no agravamento da seca e no impacto dessa nova realidade: a fumaça tóxica que antes parecia distante está atingindo Brasília, a capital política do país, e São Paulo, o centro do poder econômico. Se a seca está piorando, o que podemos esperar para os próximos anos em termos de devastação ambiental e seus impactos nas áreas urbanas? O Brasil está pronto para enfrentar crises ambientais mais graves no futuro? Essas são as perguntas que orientam a reflexão sobre os desafios urgentes e as ações necessárias diante da crise ambiental. Durante muito tempo, as queimadas no Brasil eram vistas à distância pelas elites e pelo poder político através de telas de televisão ou dos noticiários na internet. Parecia um problema regional, isolado nas áreas mais remotas. Mas, em 2024, essa distância foi drasticamente encurtada. A fumaça literalmente chegou às portas do poder. Aqueles que antes relativizavam o problema agora sentem em suas próprias narinas os efeitos sufocantes dessa crise ambiental. As narinas sensíveis do poder antes protegidas por sua posição geográfica ou econômica estão sendo invadidas por essa nuvem tóxica. Mas a questão vai além de Brasília e São Paulo. A fumaça não respeita fronteiras. Ela atravessa o Brasil e invade Buenos Aires, se espalha pelas ruas de Montevidéu e chega às casas de nossos vizinhos no Uruguai e Argentina. A crise ambiental brasileira se torna, assim, um problema geopolítico que afeta toda a região sul-americana. Os países amazônicos, como o Brasil, enfrentam essa crise de maneira fragmentada. Embora haja compromissos assumidos em cúpulas e reuniões como a de agosto de 2023 em que representantes de nove países amazônicos discutiram ações conjuntas, pouco se vê em termos de resultados concretos. Enquanto a fumaça avança, as promessas de cooperação parecem se dissipar no ar tal como a própria fumaça que nos sufoca. Na União Europeia, crises são enfrentadas de maneira coletiva e coordenada, com todos os países do bloco trabalhando juntos para minimizar os impactos e encontrar soluções. Em contraste, os países amazônicos, embora compartilhem uma vasta floresta, enfrentam seus desafios ambientais de forma isolada e fragmentada, sem a mesma integração e cooperação. Para concluir, é surpreendente que o Brasil ainda não tenha uma frota aérea especializada em combate a grandes incêndios, como a utilizada na Espanha. Esses aviões são essenciais para a contenção e mitigação de incêndios florestais, trabalhando em conjunto com brigadas terrestres e tecnologias de monitoramento. A adoção de uma força aérea similar no Brasil poderia melhorar nossa capacidade de enfrentar e responder a incêndios. *Gestão de Resíduos, Qualidade e Meio Ambiente