[[legacy_image_355814]] Foi na virada do século que o destino me colocou diante de um mestre universal, Gilberto Mendes. Compositor reconhecido internacionalmente pela vanguarda impressa na música erudita, criador do Festival Música Nova a partir da amada Santos e colaborador de A Tribuna por 60 anos. Rodou o planeta se apresentando no Carnegie Hall, em Nova Iorque, até os salões de Tchaikovsky em Moscou e São Petersburgo levando seus hits, Santos Football Music e Beba Coca-Cola. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Eleito por unanimidade membro da Academia Brasileira de Música, festejado por intérpretes e regentes do quilate de José Eduardo Martins e Eleazar de Carvalho, Gilberto só se sentia em casa na sua Santos. Crítico musical do Estadão, colunista de revistas especializadas por todo o mundo, orgulhava-se mesmo por ter convivido com os editores de A Tribuna, desde seu amigo Geraldo Ferraz até a querida Arminda Augusto. Falava-me com muito carinho especialmente de Clóvis Galvão, sobrinho da amiga Pagu, e de Ana Maria Sachetto. Recordo que Ana Maria e meu amigo Brasil da Rocha Brito muito ajudaram nosso maior poeta Augusto de Campos a redescobrir a trajetória de Pagu em A Tribuna. Brasil é um dos mais antigos engenheiros nossos e dos maiores experts em jazz no País e, com certeza, um dos mais longevos leitores desse nosso jornal santense. Gilberto e Augusto eram parceiros estéticos no concretismo, revolucionando suas artes com reconhecimento de gênios populares como Caetano e Gilberto Gil. Quem quiser conhecer o melhor trabalho sobre nossa música popular de fina qualidade deve ler o Balanço da Bossa, escrito por Augusto, Gilberto e com prefácio do mestre Brasil. Foi da amizade de 15 anos de Gilberto e eu que surgiram parcerias do poeta com o músico, conversas diárias intermináveis e uma iniciativa que deitou raízes que até hoje frutificam. Tivemos a ideia de criar, em 2004, o Fórum Santos Cultural para entrevistar todos os candidatos a prefeito de então a revelarem suas propostas para a Cultura da terra. As reuniões eram feitas na já mítica Livraria Realejo do camarada Tahan, com adesão de mais de duas centenas de intelectuais santistas que iam de Torero, Alessandro Atanes, Ademir Demarchi, Argemiro Antunes, Juracy Silveira, Edith Pires Gonçalves, Fabricio Lopez, Toninho Dantas e o mais importante: com maciça cobertura de A Tribuna. O caderno Galeria encampou com precioso empenho as entrevistas abertas a um público seletíssimo de escritores, artistas e intelectuais sequiosos em saber qual plataforma os prefeituráveis dispunham equipamentos culturais, coletivos de criação e bibliotecas. Gilberto insistia que um candidato não podia dar-se ao direito de desconhecer a Arte e os artistas de sua cidade. Isso é preceito básico de civilidade. Uma das reivindicações era um Fundo Municipal de Cultura. Participante do Fórum e eleito vereador, Reinaldo Martins foi responsável por sua criação. O Facult, hoje tão reconhecido, foi em primeira instância produto daquele espírito de parceria dos artistas, sociedade civil e este jornal. De lá ficaram minha amizade com Telma e Raul Christiano, candidatos, e admiração por um jovem atento e meigo candidato a vice, Bruno Covas. Que aquele movimento se repita de alguma forma em 2024. Todos candidatos ao Palácio José Bonifácio precisam dizer que caminhos trilharão na Cultura e na Arte.