<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-end="506" data-start="154">Narrativas de épocas anteriores a Cristo já abordavam a busca pela vida eterna. O ser humano acreditava na existência de fontes que jorravam águas miraculosas, dotadas do poder de torná-lo imortal e de mantê-lo eternamente jovem. À procura desse sonho, muitos se lançaram em longas e arriscadas jornadas, frequentemente em rincões inóspitos do planeta.</p> <p data-end="730" data-start="508">Essa busca obstinada motivou a perda de vidas — um paradoxo incompreensível. Revela o temor que a morte do ser físico provoca no homem, uma ansiedade que acompanha seus sonhos e medos desde os primórdios de sua existência.</p> <p data-end="1413" data-start="732">Além da busca pela almejada fonte da juventude, havia também o desejo de descobrir a Arca de Noé e outros símbolos que fazem parte da nossa história. Essas representações da imaginação humana simbolizam períodos, sonhos, crenças e anseios do homem. Afinal, qual seria, de fato, o privilégio da imortalidade para o ser humano? O que faríamos com uma mesma vida pela eternidade? É certo que, para alguns de nós, a perspectiva da morte ao chegarmos a uma idade avançada não causa tanta angústia. Além disso, surge uma questão ainda mais significativa a ser considerada: e aqueles que nascem com graves deficiências físicas ou mentais? Estariam esses condenados a um sofrimento eterno?</p> <p data-end="1803" data-start="1415">Como princípio natural, a morte é um processo essencial na jornada evolutiva. Ela possibilita a exclusão de seres que apenas praticam o mal. Sob essa perspectiva, a imortalidade se configuraria como um obstáculo à paz e ao bem viver, perpetuando o mal através de indivíduos que em nada contribuem ou contribuirão para o propósito evolutivo humano, nem tampouco para a formação da família.</p> <p data-end="2233" data-start="1805">Para compreender o quão irracional e desumana seria a imortalidade, basta recordar figuras históricas marcadas por sua crueldade. Entre elas: Adolf Hitler, o inquisidor Torquemada, Mao Tsé-tung, Joseph Stalin e muitos outros cujo legado de sofrimento imposto aos semelhantes jamais deve ser esquecido. É importante destacar que o homem, enquanto entidade física, tem passado por um contínuo processo evolutivo ao longo das eras.</p> <p data-end="2599" data-start="2235">Essa evolução é fundamental para atender às exigências de adaptação e transformação no âmbito espiritual. Surge, então, a pergunta: como seria o mundo atual se, na Pré-História, algum hominídeo tivesse encontrado a ansiada fonte da juventude? Seríamos capazes de imaginar um planeta habitado por milhões de hominídeos e neandertais coexistindo com o homem moderno?</p> <p data-end="2979" data-start="2601">Ao contrário dos inúmeros mitos concebidos por nossa imaginação, a fonte da juventude realmente existe. No entanto, não se trata de uma nascente mágica que verte águas milagrosas capazes de devolver a juventude e conceder a imortalidade ao ser físico. Ela se revela nos próprios ciclos naturais da vida, que conformam e sustentam nossa existência como entes espirituais eternos.</p> <p data-end="3067" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2981">*Santiago Gonzalez Arias. Arquiteto, urbanista e membro da Academia Santista de Letras</p>