Yoda é um personagem fictício no universo de Star Wars, criado por George Lucas (Reprodução) Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia (2002), logo nas primeiras páginas de seu livro Foco, cita Yoda, um lendário mestre Jedi esverdeado, que viveu mais de 900 anos. O personagem é conhecido também por ensinamentos profundos, controle mental, serenidade e muita força. Com essas características, na trama de Guerra nas Estrelas, Yoda está pronto para ser conectado ao imaginário dos jovens. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nestes tempos de inteligência artificial, Kahneman vai mais além em seu livro e dedica a obra “para o bem-estar das futuras gerações”. A intenção, com certeza, é argumentar como a aplicação da atenção plena em nossas vidas determina o que vemos, em nós mesmos e no mundo. O relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), publicado recentemente, contextualiza, no sentido inverso, tudo que foi dito até aqui. Das provas aplicadas em 2025, envolvendo 760.000 estudantes em cerca de 90 países, é possível concluir que os nossos jovens estão perdendo o foco e sofrendo as consequências desse estado de total desatenção. Neste relatório foram mantidas as avaliações na área de Ciências, juntamente às de Leitura e Matemática, e foram levantados, também, dados sobre aprendizagem no mundo digital e domínio do inglês, como língua estrangeira. Os resultados do Pisa são inquietantes, em síntese o cenário foi de queda generalizada. Em Ciências, as pontuações médias caíram de forma modesta no período entre 2015 e 2025 e países com resultados sofríveis nessa área mantiveram a baixa pontuação: praticamente não evoluíram. Um cenário problemático revelou-se em Matemática: as pontuações médias despencaram 22 pontos, na década. Os números desta queda podem ser traduzidos em perdas equivalentes a um ano, no processo de ensino/aprendizagem. É na Leitura, no entanto, que a queda foi mais acentuada, com resultados caindo em média vinte e oito pontos. O cenário é preocupante, na medida em que as habilidades de leitura e a devida interpretação de textos sustentam toda a aprendizagem em outras disciplinas do currículo. Mais do que isso, a leitura é essencial na reflexão sobre informações de si e do mundo. Na análise diagnóstica do referido relatório, emergem três estados que determinam o perfil dos jovens analisados: a falta de esforço cognitivo, o uso abusivo da inteligência artificial retira do jovem a capacidade de reflexão autônoma; a distração digital, em média 28% de alunos de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) declararam que eles e seus colegas se distraem durante as aulas com os dispositivos digitais e o estado de “leitor apressado”, consequência da rolagem infinita, um recurso de caráter viciante comum nas redes sociais. Em síntese, se pudéssemos dispor da avaliação de Yoda e de sua sabedoria ancestral, sobre o atual momento da Educação, no mundo, talvez fosse possível ouvir: “O foco não deve ser a tecnologia, mas um estado de consciência superior”. Alfredo Cordella. Professor de Gestão do Conhecimento da Unisanta.