(Matheus Tagé/AT/Arquivo) “O mar quando em teus braços estreito é noite de estio, na gasosa relva”. O mar, protagonista de muitas linhas de seus poemas até nos parece os de Vicente de Carvalho, autor retratado em livro tão bem acabado, mas não é dele que me atrevo a rascunhar, e sim, do poeta Flávio Viegas Amoreira, que bem de longe ouvira falar, mas bem de perto o conheci para seus versos seguir. Numa tarde de verão, e como estava quente aquele sábado de março de 2024, no lançamento do livro de poesias Busco as Flores, da amiga poeta da Academia de Letras, Artes e Ofícios de Praia Grande, Maria Bernadete Bernardo de Oliveira, conheci o Flávio, e, meses mais tarde, iniciei-me em sua oficina literária presencial na Casa das Culturas de Santos. Confesso que a mente brilhante e incessante desse poeta, prosador, crítico literário, contista, romancista, tradutor, leitor voraz de Oscar Wilde, curador da Casa das Culturas e um existencialista carregado de sentimento atlântico que nasceu no mítico Porto de Santos em fevereiro de 1965 aguça minha escrita, no aprender e continuar a remar entre as duras ondas da literatura. Fico pensando como Amoreira, que já lançou 24 livros entre poesia, contos, romance e dramaturgia, agitador cultural, sendo incluído na antológica Geração Zero Zero, reunião dos mais destacados contistas brasileiros da virada do século, ainda encontra tempo para ser oficineiro planejando, organizando e promovendo aprendizado semanalmente até online. E desses encontros literários já colhemos bons frutos, com os primeiros lançamentos dos livros Canteiro das Margaridas - A Vida em Poemas e Prosas, e-book poético de Guida Linhares, e o mais recente livro de poesias Epifanias e Utopias, de Beatriz Duarte de Almeida. Recentemente, o poeta ganhou espaço em duas páginas de jornal com matéria da ilustre Aurora Fornoni Bernardini, professora universitária de literatura na Universidade de São Paulo, tradutora, romancista e pesquisadora, que apresentou com exatidão a espetacular biografia literária mundial do Flávio. De sua produção literária, destacam-se Maralto, Escorbuto, Cantos da Costa, A Biblioteca Submergida, Cantogramas, Edoardo, o Ele de Nós, Oceano Cais, Whitman & Pessoa meus camaradas, e em 2024, organizou Vicente de Carvalho redescoberto para marcar o centenário da morte do santense, o Poeta do Mar. Flávio é um notável homem beirando os 61 anos ou idade mítica como ele mesmo diz, que perfaz 45 anos dedicados à vida artística através da literatura de vanguarda, e para brindar a data, em dezembro de 2025, lançou na Pinacoteca Benedicto Calixto o mais recente livro 50 Poemas. Viva Flávio e a literatura! *Míriam Santiago. Jornalista