(Marcelo Carmago / Agência Brasil) Março é um mês simbólico na luta por igualdade de direitos. No Dia Internacional da Mulher, somos convidados a refletir sobre os desafios que ainda persistem no enfrentamento das desigualdades de gênero. Entre eles, o feminicídio, expressão extrema da violência contra a mulher. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O debate se torna ainda mais urgente quando observamos os impactos que vão além da perda de uma vida. O feminicídio desestrutura famílias, deixa órfãos, mães enlutadas, irmãos e parentes mergulhados em sofrimento. A violência não termina com o crime: ela se prolonga na dor e nas consequências emocionais e sociais vividas por quem permanece. Nesse contexto, o fortalecimento de políticas públicas de proteção e acolhimento é essencial. Desde 1998, a Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania mantém o Centro de Referência e Apoio à Vítima (Cravi), programa que oferece atendimento psicossocial e jurídico gratuito a pessoas impactadas por crimes como feminicídio, homicídio e latrocínio, tentados ou consumados. Os números mostram tanto a gravidade do problema quanto a importância do suporte oferecido às vítimas da violência. Em 2024, o programa realizou 8.013 atendimentos, dos quais 981 estiveram relacionados a casos de feminicídio. Já em 2025, dos 6.478 atendimentos registrados, 1.021 foram destinados a familiares de vítimas desse tipo de crime. Nosso trabalho busca minimizar os impactos da violência, oferecendo apoio no processo de elaboração do luto, na reconstrução de vínculos familiares e no fortalecimento emocional. A proposta é ajudar as pessoas a retomarem seus projetos de vida, mesmo diante de uma perda tão profunda. O atendimento é feito por assistentes sociais e psicólogos, que fazem a triagem das demandas e encaminham os usuários para as unidades do programa e para a rede socioassistencial. Além disso, o Cravi também atua na prevenção da violência e na promoção da educação em direitos humanos, por meio de oficinas, palestras e rodas de conversa. Atualmente, o programa conta com nove unidades: São Paulo, Araçatuba, Santos, São Vicente, Barueri, Caieiras, Guarulhos, Pindamonhangaba e Suzano. Também oferecemos atendimento on-line, ampliando o acesso para quem não pode se deslocar presencialmente. O contato pode ser feito pelo telefone (11) 3666-7778, de segunda a sexta, das 8h às 17h. Mais do que punir a violência, é preciso investir em prevenção, educação e cuidado com quem sofre suas consequências. Garantir acolhimento e apoio às famílias das vítimas também é uma forma de afirmar que nenhuma vida perdida pode ser tratada com indiferença. *Luane Natalle. Coordenadora do Centro de Referência e Apoio à Vítima (Cravi), da Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania.